Os perigos da alienação parental
Enviada em 06/08/2020
“Seu pai não te ama”. “Fale para a sua mãe usar direito sua pensão”. “Seu pai nos abandonou”. Essas frases, são comumente ouvidas por crianças que se veem em meio ao processo de separação de seus pais, os quais tentam implantar no menor um sentimento de desprezo por um dos genitores. Nesse sentido, a criança acaba servindo de ponte de ódio entre as pessoas que mais ama, o que acarreta inúmeros problemas para a saúde psicológica do infante. Dessa forma, cabe analisar as consequências das ações dos pais na construção do comportamento da criança, tais como o desenvolvimento de distúrbios psíquicos e a dificuldade em desenvolver relações interpessoais.
Diante do exposto, cabe ressaltar, em primeiro plano, as sequelas emocionais as quais tais crianças são expostas durante o processo de separação de seus pais, pois elas são diretamente atingidas ao terem que decidir, mesmo sem entender a situação, de que lado irão ficar. Então, elas desenvolvem quadros depressivos e de ansiedade, que, em casos mais extremos, podem levá-las ao suicídio. Tal conjectura confirma-se de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Direito de Família IBDFAM (2012), os quais apontam que, três em cada quatro suicídios foram cometidos por adolescentes provenientes de lares de pais ausentes ou indiferentes. Assim, a vida dos menores de idade é interrompida devido à negligência de seus pais, ao voltarem suas atenções ao seu ego e esquecerem dos terceiros envolvidos na situação.
Ademais, é válido pontuar que esses jovens tendem a ser mais reservados, ou, por vezes, serem rebeldes devido ao rancor abastado. Esses sintomas são característicos da Síndrome de Alienação Parental, estudada pelo psiquiatra norte-americano Richard Gardner em 1985. Tal doença psicológica é caracterizada pela aversão da criança por um de seus pais e acaba afetando inclusive suas relações interpessoais. Para corroborar esse cenário, pode-se citar dados do IBDFAM-anteriormente aludido-de acordo com o instituto, crianças criadas sem a presença do pai têm duas vezes , mais chances de ter baixo rendimento escolar, e desenvolver rebeldia a partir dos seis anos. Com isso, cria-se um adulto revoltoso e com um potencial para gerar danos à sociedade.
Portanto, com o objetivo de reverter esse quadro, ações precisam ser empregadas. Sendo assim é importante que os Tribunais de Justiça juntamente com os setores de assistência social de cada cidade, deem amplo amparo não somente aos pais, mas especialmente às crianças em questão, por meio de acompanhamento psicológico e social das famílias em desagregação. De modo que o momento de infortúnio na vida dessas pessoas, se torne mais aprazível e com o objetivo de evitar as consequências para os pequenos envolvidos.