Os perigos da alienação parental

Enviada em 16/08/2020

O sociólogo francês Émile Durkheim, ao analisar as organizações, compreende a família como meio fundamental para a inserção dos indivíduos na comunidade. No entanto, é indubitável que tal proposta, hodiernamente, é deturpada, tendo em vista a recrudescente alienação parental, a qual suscita anomias na sociedade. Esse cenário nefasto ocorre não só pela manipulação durante divórcios, mas também pela imposição de ideias que negligenciam a autonomia de jovens. Perante isso, são necessárias medidas em prol da formação psicossocial qualitativa no âmbito doméstico.

Nesse sentido, é importante destacar que, com a demasiada exposição ao conflito, o emocional de crianças é comprometido. Nessa perspectiva, o filme “Boyhood: da infância à juventude” narra a história de Mason e como a influência da conflitante separação de seus pais foi preponderante para, além de normalizar a ofensividade, agravar suas psicopatologias. Semelhantemente, a alienação parental, por remeter à agressividade e à intolerância entre progenitores, favorece transtornos, como depressão e ansiedade. Portanto, tendo em vista que, segundo o jornal “O Tempo”, relações de conflitos prejudiciais a filhos cresceram em cerca de 100% em 2018, é inquestionável que tal atitude deletéria cresce entre vários Masons contemporâneos fadados a lidar com traumas psicossomáticos.

Ademais, é necessário ressaltar que a indução persistente a uma mentalidade em crianças e adolescentes é um empecilho para o progresso crítico. Nesse viés, o famoso caso do crime de Gypsy Rose, jovem a qual foi compulsivamente negada a autonomia por sua mãe e convencida a cometer um homicídio, evidenciou mundialmente, o potencial maléfico da obsessão parental. Ou seja, a coerção advinda das famílias, as quais são fundamentais para formação humana, corrompe o desenvolvimento individual. Consequentemente, é incontrovertível que tais abusos subvertem a função inerente aos pais de orientação social, uma vez que negligencia a liberdade de filhos, o que contribui para a alienação, que, em casos extremos, favorece a violência.

Destarte, ante as psicopatologias e a manipulação, decorrentes da nociva interação doméstica, urgem ações pelo devido desenvolvimento de crianças e adolescentes no Brasil. Para isso, é fulcral que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, associado aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), atue a favor da orientação íntegra e qualitativa nos lares. Tal proposta deve ocorrer por intermédio de ações sociais, as quais devem promover campanhas informativas quanto à importância de uma infância livre, além das sequelas de divórcios, das tensões e das imposições de ideias, com o fito de mitigar a alienação parental e estimular a coesão entre parentes. Assim, alcançar-se-á, paulatinamente, o ideal de Durkheim acerca da família enquanto organização social.