Os perigos da alienação parental

Enviada em 10/08/2020

Nas imediações da Grécia antiga, observava-se que a cidadania só se aplicava a homens, deixando as mulheres à função de zelar pelo lar. Nesse raciocínio, vive-se atualmente, as consequências de uma sociedade patriarcal, na qual em muitas ocorrências a mulher se encarrega de criar os filhos sozinha. Desse modo, relaciona-se às consequências da crescente alienação parental ao déficit educacional e a insuficiência legislativa.

Nesse contexto, de acordo com Sêneca - célebre advogado do Império Romano -, “a educação exige os maiores cuidados, pois influi sobre toda vida”. Sob esse prisma, é relevante que a educação destaque a importância da harmonização familiar para que se construa uma sociedade sólida e progressiva. No entanto, é visível que o panorama educacional brasileiro é insuficiente ao abordar conteúdos que se relacionam com a valorização da presença parental na vida dos indivíduos, pois, é preferível pelos órgãos competentes que se valorize conteúdos tecnistas para que outros pilares sociais se fortaleçam. Dessa maneira, há um distanciamento do cenário educacional brasileiro com relação ao ideário proposto por Sêneca.

Outrossim, é de suma importância relacionar o excesso de leis criadas para conter a evasão parental com a falta de efetividade das mesmas, algo que gera tranquilidade aos infratores pela improbabilidade de punição. Nessa lógica, conforme afirmava Montesquieu, “quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se as que lá existem são executadas”. Nessa perspectiva, nota-se que o Brasil falha em executar leis já criadas, fazendo com que a alienação parental torne-se um problema crescente em todo o país que gera sequelas psicológicas em crianças e adolescentes brasileiros.

Portanto, é substancial a tomada de medidas para conter o avanço da alienação parental no Brasil. Em análise, cabe a Ministério da Educação, junto às escolas - maior formadora da moral humana-, inserir conteúdos na Base Nacional Comum Curricular, por meio de debates com núcleos familiares conflituosos, que visem apresentar aos jovens como ocorrem os conflitos parentescos, a influência deles no cotidiano dos indivíduos envolvidos e a forma de combater esses impasses, para que esses jovens tenham a possibilidade de aprender a lidar com esse cenário hostil. Dessa forma, a crescente alienação parentesca no Brasil decrescerá.