Os perigos da alienação parental
Enviada em 28/09/2020
Segundo a lei 12.318, alienação parental é a interferência na formação psicológica da criança ou adolescente por um responsável para que repudie o genitor ou que cause prejuízos ao estabelecimento de relações. Tal problema se faz presente no uso dos filhos como objeto de vingança e os pais nem sabem o mal que fazem a sua descendência. Assim, as vítimas sofrem em silêncio dado que o problema dificilmente é levado às autoridades, formando indivíduos com dificuldade em manter relações interpessoais.
Primeiramente, deve-se entender que alienação parental é um impasse de longa data e muito comum. Segundo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, o número de processos por alienação parental cresceu saltando de 2.241 para 2.365, entretanto é necessário considerar que o conselho tutelar é pouco procurado. Dessa forma, não há como prever quantas crianças estão sendo vítimas devido a dificuldade de obter provas, tendo em vista que vários casos o vestígio do crime só aparece psicologicamente anos depois. Além disso, segundo o artigo 699, o juiz ao tomar o depoimento deve estar acompanhado de um especialista, porém o mercado de trabalho nesta área é novo e não há especialistas em grande número. Portanto, crianças acabam sem proteção nem dos pais nem do Governo que deveria lhes dar o suporte necessário.
Ademais, uma das maiores consequências da alienação parental é a dificuldade obtida pela criança em ter relações sociais com amigos e família. Na série Friends, o personagem Chandler possui problemas de comprometimento tendo um dos motivos para a complicação sendo ser usado no divórcio de seus pais como uma arma de vingança. Apesar de a separação ocorrer na infância, as vítimas terão o trauma influenciando outros âmbitos de sua vida por anos, pela falta de exemplo de um bom relacionamento entre seus genitores e até entre o próprio filho e seu pai. Logo, a alienação parental não só forma indivíduos inseguros ao se relacionarem como pode fazer pais que não conseguem educar seus filhos de forma saudável caso seus conflitos internos não sejam resolvidos.
Portanto, é mister a adoção de medidas para que menos pessoas sejam vítimas de alienação parental. Dessa forma, o Ministério Público deve colocar o tema para a formação de profissionais no âmbito estadual do órgão por meio da priorização do tópico nos planejamentos feitos. Com o fim assistir crianças e adolescentes para que não se tornem cidadãos com traumas familiares, dar apoio financeiro à atuação dos membros do Ministério em defesa dos que dependem completamente de sua família será necessário. Destarte, amparar os vulneráveis nesta situação não é só aplicar a lei corretamente como exercer a humanidade neste grupo social que tanto precisa.