Os perigos da alienação parental

Enviada em 22/09/2020

Na década de 80, o psiquiatra norte-americano Richard Gardner formulou o conceito de Alienação Parental, o qual se caracteriza como um distúrbio infantil provocado pela persuasão negativa de algum genitor exercida sobre os filhos. De forma análoga, no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, essa prática se mostra presente e apresenta perigos para sociedade uma vez que prejudica vínculos com os pais e acarreta problemas psicológicos nas crianças. Destarte, torna-se necessário a discussão sobre esse tema com o intuito de resolver essa problemática.

A priori, é imperioso destacar que o panorama supracitado implica no comprometimento dos vínculos com os pais. Isso se torna mais claro ao observarmos que, embora a Lei da Alienação Parental criminaliza ações como estas, é muito comum membros da família manipularem as crianças para repudiarem um dos pais, principalmente durante uma disputa pela guarda da mesma. Dessa forma, ratifica- se a tese desenvolvida pelo jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein acerca da cidadania de papel, ou seja, embora o país apresente um conjunto de normas bastante consistente elas se atêm, de forma geral, ao plano teórico. Portanto, precisa-se de uma intervenção para que essa questão seja modificada.

Outrossim, é imperativo pontuar que a análise apresentada resulta, ainda, em problemas psicológico nas crianças, uma vez que prejudica o desenvolvimento emocional da população infanto- juvenil. Um exemplo disso é a possibilidade de manifestar “alexitemia”, isto é, um conceito desenvolvido pelo psiquiatra Peter Sifnos, que representa a dificuldade em expressar sentimentos. Nesse âmbito, esses argumentos contradizem a Constituição Federal de 1988, a qual prevê como um dos direitos sociais, a proteção à infância. Faz-se imprescindível, portanto, a dissolução dessa conjuntura.

Em suma, são necessárias medidas que atenuem o imbróglio em questão. Para tanto, urge que as escolas, em parceria com as famílias, insiram discussões sobre esse tema, tanto no ambiente doméstico quanto no estudantil, por intermédio de palestras com a participação de psicólogos e especialistas, a fim de mostrar, desde a infância, as consequências da alienação parental e evitar sua ocorrência. Soma-se a isso o papel do Ministério da Saúde, por meio do Setor Midiático, tais como o televisivo e as redes sociais, criar propagandas com o objetivo de alertar e conscientizar a população sobre os prejuízos psicológicos causados nas crianças por essa prática. Somente assim a Alienação Parental definida por Gardner não será mais vigente na sociedade atual.