Os perigos da alienação parental

Enviada em 27/09/2020

O seriado televisivo “Friends” retrata a vida de Chandler, que enfrentou a separação dos pais na infância, e seus traumas psicológicos, conexos às relações interpessoais, provenientes das constantes discussões entre seus genitores. Fora da ficção, tal obra ainda representa grande parte dos meios de convivência da população brasileira hodierna, em que é comum a manipulação da psique das crianças por seus responsáveis, que fere o direito fundamental dos jovens e prejudica a formação emocional adequada dos mesmos. Destarte, é de suma importância a reversão desse algoz.

É licito postular, de início, que o impedimento da convivência e autoridade parental vai de encontro aos preceitos básicos do jovem brasileiro. Análogo a Constituição Federal de 1988, é direito inegável das crianças o acesso a um ambiente de confraternização familiar saudável. Sob esse prisma, a coibição do contato entre genitor e prole é um abuso moral contra este, que impossibilita a criação de laços e afetos na relação entre os mesmos, e é impulsionado pelo falso ideário transmitido pelo responsável alienante de que o pai alienado é essencialmente nocivo ao filho, gerando a este incertezas quanto ao seu ambiente familiar. Desse modo, torna-se claro, por dedução analítica, que a alienação parental é prejudicial por ferir os direitos pueris.

Outrossim, é imperioso ressaltar que a prática de manipulação do pensamento claramente prejudica a formação emocional do jovem. Evidenciando o supracitado, o filósofo Immanuel Kant afirma que o homem não é nada além daquilo que sua educação faz dele, indicando a importância dos valores trocados na infância entre a família para a criação do indivíduo. Nessa seara, a alienação de genitores impede a transmissão dos ideias necessários para a composição da psique do ser, que acaba por apresentar lacunas emocionais diversas quanto as relações pessoais, principalmente no âmbito familiar. Dessa maneira, essa educação familiar deficitária é danosa a prole.

Frente a essa realidade, é indubitável que a alienação parental configura-se como um verdadeiro agente danoso ao corpo social hodierno. Nesse ínterim, compete ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, juntamente com as empresas televisivas - responsáveis pela transmissão de informações à população geral - inferir no ideário social a importância do ambiente familiar saudável para a criança, por meio de programações educativas específicas, como filmes e séries que retratem os benefícios da boa convivência dos genitores com suas proles. Dessa maneira, garantir-se-á a criação adequada dos seres e atenuar-se-á o número de “Chandlers” na sociedade brasileira.