Os perigos da alienação parental
Enviada em 28/09/2020
O filósofo Thomas Hobbes afirma que o governo é responsável pelo bem-estar social, entretanto, percebe-se que essa situação não ocorre como deveria, visto que há um aumento nos números de casos de alienação parental na última década. Tal cenário é motivado, normalmente, por uma relação conjugal mal resolvida aliada ao medo da perda do filho com o divórcio, intensificada pela omissão estatal nessa questão, o que resulta em diversas consequências para o infanto-juvenil, como danos psicológicos e emocionais, além da fragmentação dos vínculos afetivos com o genitor.
Em primeiro plano, é notório como o divórcio não consensual e o receio pela perda de amor da criança contribui para o crescimento dos índices desse crime. Nessa perspectiva, o genitor alienador incute, de maneira gradual e quase imperceptível, sentimentos negativos no filho pelo ex-cônjuge, com o objetivo de impedir uma boa relação entre eles, e, assim, desgastar os laços emocionais entre o infante e o pai alienado. Essa situação é agravada pela incompetência estatal em desenvolver e aplicar ações preventivas e punitivas relacionadas a esse delito, o que deturpa a tese defendida pelo teórico Thomas Hobbes.
Outro ponto relevante nesse debate são os reflexos que esse desafio ocasiona. De acordo com o ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente, é dever da família assegurar a convivência familiar saudável. No entanto, percebe-se que isso não ocorre plenamente na sociedade atual, haja vista que nesse cenário, o infanto-juvenil é pressionado e manipulado por um de seus pais a escolher um lado nesse ambiente hostil, o que favorece o desenvolvimento de distúrbios de natureza psicológico somado ao rompimento do relacionamento filial. Desse modo, entende-se essa questão como uma problemática cuja resolução deve ser imediata.
Portanto, é de suma importância que medidas sejam tomadas a fim de resolver essa desafio. Para isso, o Poder Legislativo, responsável pela elaboração e aprovação de leis, deve providenciar ações mais eficazes, por meio da reformulação do código penal. Adicionalmente, o Governo Federal, em parceria com a mídia, deve promover ações de alerta e de reconhecimento dessa prática criminosa, por meio de campanhas, anúncios e comerciais televisivos. Com isso, espera-se que essa problemática seja minimizada, que o bem-estar social previsto Thomas Hobbes e o ECA seja cumprido integralmente.