Os perigos da alienação parental

Enviada em 27/09/2020

Na obra cinematográfica ‘‘Lady Bird’’ é retratada a vida de uma adolescente que enfrenta os desafios de sua idade e lida com uma difícil relação com seus pais. Fora do cinema, é possível perceber cada vez mais o distanciamento entre pais e filhos, o que evidencia a falta de comunicação e a diferença entre pensamentos nos tempos atuais, gerando assim, uma geração de pais superprotetores e filhos alienados.

Em primeira análise, vale destacar que a falta de comunicação familiar é um dos principais fatores que influenciam na alienação parental, e segundo o ECA, tal ato interfere na formação psicológica da criança e do adolescente. No início de 2020, uma mãe de São Paulo perdeu a guarda de sua filha de 12 anos por levar ela a reuniões da religião candomblecista. A denúncia foi feita por parentes da família e evidencia, além de alienação, uma dura intolerância religiosa que pode afetar a vida e o desenvolvimento psicológico e social da criança negativamente.

Ademais, a diferença entre os ideais e posicionamentos de pais e filhos sobre assuntos políticos e sociais também acabam por causar o distanciamento de uma relação saudável e faz com que se aproxime de algo abusivo e superprotetor. O doutor em psicologia familiar Iñigo Ochoa de Alda afirma que a superproteção dos filhos é uma falsa proteção, uma vez que cria adolescentes mentirosos e que não conseguem ter um diálogo civilizado com seus parentes por medo da reação. Além disso, a superproteção faz com que as crianças fiquem cada vez mais apegadas e cresçam sem noção de liberdade e autonomia. Portanto, urge a dissolução dessa conjuntura.

Sabendo dos argumentos citados anteriormente, urge que o governo invista em programas familiares, através de verbas públicas e campanhas publicitárias, que incentivem o diálogo e a amizade familiar, com o fim de criar uma geração autônoma e saudável mentalmente. Desta forma, poderemos formar uma sociedade distante da realidade de Lady Bird, em que famílias sejam vistas como amparo e não como fonte de julgamento.