Os perigos da alienação parental
Enviada em 28/09/2020
No filme indicado ao Oscar, “Histórias de um casamento”, é retratado o complexo e doloroso processo de divórcio entre um casal com filhos. Não distante da ficção Hollywoodiana, essa é uma realidade presente na sociedade como um todo. Entre suas consequências há a chamada alienação parental, em que os filhos de um casal divorciado são objetificados e manipulados a repudiar um de seus progenitores, causando consequências emocionais e posteriormente comportamentais nas crianças afetadas. Portanto, faz-se necessária uma análise dos perigos acarretados por esta prática e a proposição de soluções para a mesma.
Em primeira análise, é imperativo destacar que de acordo com o filósofo britânico John Locke, ao nascer o ser humano é como uma tábula rasa, sendo este então moldado pelas experiências e as pessoas ao seu redor (principalmente seus pais). Logo, os pais são referência a seus filhos e mostram-se essenciais na formação do indivíduo. No entanto, ao ter a figura de um dos progenitores corrompida, há a quebra dos laços afetivos, assim como, a diminuição da influência na vida da criança , acarretando problemas psicológicos como baixa autoestima, aumento da agressividade, falta de interesse, tristeza e até mesmo depressão.
Ademais, como consequência da alienação parental e dos fatores psicológicos supracitados, há conturbações nos aspectos comportamentais das crianças acometidas com tais práticas. Visando aliviar a pressão psicológica e obter uma forma de escapismo do mal-estar provocado, estas são mais propensas a fazer uso precoce de álcool e consumo de drogas, assim como, tendem a ser socialmente retraídos e a entrar em estado de isolamento, o que por sua vez contribui para formação de indivíduos com dificuldades em se relacionar e manter relações estáveis e felizes.
Destarte, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante um ambiente emocionalmente estável para desenvolvimento da criança e adolescente. No entanto, em casos de alienação parental é possível constar-se que isto não ocorre. Portanto, é preciso que o Estado por meio de órgãos especializados crie leis que punam efetivamente a alienação parental, assim como, que preste serviços de auxílio psicológico (como psicólogos e assistentes sociais) a fim de que haja a criação de um ambiente em consonância com o ECA, bem como, a mitigação das consequências decorridas de tais práticas. Assim, será possível fazer com que esta problemática fique apenas no mundo da ficção hollywoodiana de “Histórias de um casamento” e não permeie os tecidos da realidade.