Os perigos da alienação parental
Enviada em 28/09/2020
Alienação parental é a programação de uma criança ou adolescente por um dos genitores, para que passe a enxergar e idealizar o outro genitor de maneira negativa. Tal situação faz com que a criança acabe se afastando do genitor alienado por acreditar no que lhe está sendo dito, destruindo o vínculo afetivo. As marcas deixadas por tal ato são indeléveis, acarretando riscos para a saúde psíquica e emocional da criança, além de afetar talvez para sempre a relação familiar.
Em nome de um discurso de proteção, por causa de mágoa ou uma necessidade de vingança, muitos pais utilizam da alienação parental para implantar nos filhos uma imagem ruim do outro genitor. Os malefícios causados aos próprios filhos, nesses casos, são tantos e tão violentos que dificilmente são reversíveis. A dúvida e a desorientação são os primeiros problemas a se manifestar nas crianças, pois é difícil para um ser ainda tão inexperiente, perceber que mentiras estão sendo ditas. E então começam a aparecer os sintomas da Síndrome da Alienação Parental, a maioria perde a confiança em si mesmos, há o aumento na agressividade ou na tristeza; e a criança pode até entrar em depressão, desenvolver ansiedade e síndrome do pânico. Na chegada à adolescência, aumentam as chances de recorrerem ao álcool e às drogas, a fim de de aliviar a dor que sentem pelas desavenças entre os pais.
As vítimas não apenas têm seu psicológico afetado, como também tendem a ter dificuldades para manter relacionamentos afetivos estáveis e felizes entre família, justamente porque nunca vivenciaram uma relação familiar saudável antes. É importante ressaltar que o casal que teve filhos sempre se manterá conectado por meio deles, e ao invés de enxergar isso de uma forma negativa as pessoas deveriam utilizar dos filhos como uma forma de incentivo para a criação de um vinculo de respeito visando o bem da criança. Esse ponto de vista é evidenciado pelo jornalista Milton Santos que afirma que a força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos, quando apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une.
Em virtude do que foi apresentado anteriormente, há diversas formas para diminuir as consequências da situação que foi criada. A principal delas é o acompanhamento psicológico da criança e dos pais/responsáveis, visto que existem problemas tão íntimos que nunca poderão chegar a ser interpretados pelo judiciário. Apesar disso a justiça tem um papel importante nesse caso, e o Brasil é um dos raros países do mundo que tem uma legislação específica sobre o assunto, a Lei 12.318. Logo cabe ao magistrado responsável pelo julgamento da ação, verificar as circunstâncias de cada caso para avaliar quais medidas são possíveis em cada situação. E assim a situacão será resolvida.