Os perigos da alienação parental

Enviada em 28/09/2020

No livro “A ética a Nicômaco”, o filósofo Aristóteles define a ética como uma virtude de mediania entre o excesso e a escassez. Entretanto, em muitas famílias brasileiras, em situação de divórcio, os pais constroem imagens negativas do outro genitor, por meio vitimização, como a carência e idealização de vilão, como o exagero, em virtude do término do relacionamento. Além disso, a prática da alienação parental é extremamente danosa para os alienados, podendo ser responsável por causar danos psicológicos e traumas que acompanharão as vítimas ao longo de suas vidas.

Em primeira análise, a alienação parental define-se como a influência de um dos genitores para que a criança passe a enxergar e idealizar de forma negativa o outro. Sabe-se que, no término dos relacionamentos, alguns pais buscam se colocar no lugar de vítimas e construir uma imagem de vilão do outro cônjuge a fim de conseguir a guarda e o apoio dos filhos. Porém, segundo a teoria de Aristóteles, esses atos consistem na falta de ética, visto que não buscam, na mediania, noções justas para resolver a situação. Dessa forma, é possível perceber que tal prática é conduzida por um dos genitores por causa da dificuldade de lidar com o término do relacionamento.

Em face desses óbices, marcas indeléveis são impressas na psique dessas crianças, as quais se vêem em meio a esse “fogo cruzado” de perversidades. Segundo o alemão Sigmund Freud, é a partir do desenvolvimento - abstrato e inconsciente - dos complexos de Édipo e de Electra que a criança constrói a idealização do modelo de relacionamento em seu devir. Indubitavelmente, esse constructo deformado do modelo familiar torna a mente infantil um ambiente propício e fértil para uma gama de doenças psicossomáticas, as quais tem se tornado cada vez mais frequente entre crianças e jovens, pois segundo a OMS ( Organização Mundial de Saúde) três em cada dez indivíduos com idade entre quatro e dezesseis anos já apresenta algum tipo de distúrbio psico-neurológico.

Diante dos fatos supracitados, fica evidente que medidas são necessárias para conter o avanço da alienação parental na sociedade brasileira. Logo, é necessário que o Tribunal de Contas da União, direcione capital para o Ministério da Educação(MEC), que irá investir em uma melhor base educacional, oque irá implicar em crianças que não serão vulneráveis à abusos parentais. Outrossim, o Estado, em parceria com o Ministério da Cultura(MINC), utilizando-se de verbas governamentais, deve investir em auxílios sociais direcionados a cidadãos jovens que vão ser pais, com o intuito de fornecer toda a instrução necessária sobre como educar corretamente uma criança. Somente assim, a alienação parental não será mais um problema na sociedade