Os perigos da alienação parental
Enviada em 15/01/2021
Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, vive-se na chamada ‘‘Modernidade Líquida’’, na qual as relações humanas são marcadas pela fugacidade e pela liquidez, o que acarreta relacionamentos pouco duradouros. Nesse sentido, com a separação de casais, amplia-se a problemática da alienação parental, na qual pais usam os filhos para difamar o antigo parceiro, o que afeta o desenvolvimento infantil. Assim, deve-se desconstruir o individualismo, maior causador desse fenômeno, a fim de mitigar as consequências psicológicas ao infante.
Nessa perspectiva, o egoísmo dos genitores representa grave problema para que a alienação parental se perpetue no Brasil. Nesse sentido, na obra ‘‘O Prímo Basílio’’, Eça de Queirós evidencia a falência do sistema familiar, permeado por valores egocêntricos, os quais impedem relacionamentos saudáveis nos lares. Dessa maneira, o comportamento individualista dos pais impede que a criança tenha seu bem-estar assegurado, já que não compreendem seu papel como educadores e promotores de valores e de comportamentos dos filhos. Desse modo, enquanto o egoísmo parental for a regra, o desenvolvimento infantil correto será uma utopia.
Por consequência, a construção psicológica das crianças afetadas pela alienação parental fica comprometida, o que é prejudicial ao seu crescimento como indivíduo. Nesse viés, o psiquiatra Peter Sifneos denominou como ‘‘Alexitimia’’ o conceito clínico de cegueira emocional, a qual impede o infante de expressar seus sentimentos e pode ser causada pelo abuso emocional realizado pelos pais num relacionamento tóxico com seus filhos, tal qual ocorre na alienação parental. Assim, é incoerente que os que deveriam ser responsáveis pela saúde dos filhos acabem por prejudicar o seu psicológico, o que deve ser alterado.
Portanto, para solucionar a problemática exposta, urge que as escolas desconstruam a individualidade dos pais e mostrem as consequências negativas do abuso emocional, a fim de reduzir a incidência de casos de alienação parental. Isso poderia ser feito por meio de palestras e oficinas que integrem parentais e filhos e mostrem que os conflitos entre os adultos não devem envolver as crianças, que podem ter seu desenvolvimento comprometido. Tal projeto seria denominado ‘‘Des(envolvimento) Correto’’ e objetivaria minimizar casos do mal descrito por Sifneos, de modo a garantir a saúde emocional de todas os meninos e meninas.