Os perigos da alienação parental

Enviada em 20/10/2020

O filme ‘História de um Casamento" narra as dificuldades envolvidas no divórcio de um casal e a luta pela guarda do filho em comum. Durante o processo, a mágoa existente entre os dois adultos coloca a criança em uma situação conturbada, na qual há a mútua tentativa de desmoralizar o ex-cônjuge. Esse comportamento recebe o nome de “Alienação Parental” e é previsto como crime mediante a Lei n° 12.318, pois é um perigo para a saúde psíquica e para o futuro do menor.

Segundo o pensador John Locke, o ser humano insere-se no mundo como uma “folha de papel em branco”, pois todo o conhecimento é adquirido através da experiência. Nesse sentido, a formação inicial é o que molda um indivíduo para a sua vida adulta, tornando imprescindível um crescimento psico-social adequado. Entretanto, em famílias onde a alienação ocorre, o filho é posto no meio de um conflito com qual ainda não possui capacidade de lidar, o que lhe causa grande estresse, caracterizando a atitude dos responsáveis como abuso.

De acordo com o psiquiatra alemão Richard Gardner, é possível determinar um quadro específico para aqueles que lidaram com o problema, a “Síndrome da Alienação Parental”. Nessa condição, a vítima encontra-se emocionalmente abalada e apresenta sintomas de depressão e ansiedade, além de inseguranças quanto à autoimagem e à habilidade de confiar. Consequentemente, caso não receba suporte, ela pode levar essas sequelas consigo para o futuro, as quais podem repercutir em vícios, desvios de conduta ou até em um maior risco de tentativas suicidas.

Em suma, esses atos são acompanhados de graves e amplas consequências, sendo imprescindível o seu combate. Portanto, com o fito de alertar a população sobre a problemática, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos pode promover campanhas publicitárias nos meios de comunicação, especificamente a TV e as redes sociais, que informem sobre os perigos gerados devido à alienação e que reforcem a necessidade da harmonia familiar para o correto desenvolvimento do menor. Outrossim, o Ministério Público deve realizar o acompanhamento próximo dos casos de determinação da guarda por profissionais da psicologia e do serviço social, com o objetivo de garantir que processo não seja traumatizante para a criança. Dessa maneira, forma-se uma sociedade cada vez menos representada por ficções como “História de um Casamento”.