Os perigos da alienação parental
Enviada em 25/11/2020
Na tragédia grega “Medeia”, o dramaturgo Eurípides conta a história de uma bruxa que perde-se em um relacionamento amoroso e resolve se vingar do marido. A solução encontrada por essa feiticeira, Medeia, foi matar os próprios filhos para fazer o pai sofrer, não importando-se com o direito à vida das crianças. Semelhante às grandes tragédias, a infância do mundo pós-moderno convive com alguns perigos resultantes dos atos de alienação parental exercidos pelas famílias modernas, onde o “Eu” vale muito mais que o “Outro”, que estão prejudicando a saúde mental dos mais novos. Por isso, é necessária análise dessa problemática que envolve tanto a manipulação dos valores quanto os prejuízos comportamentais que as vítimas adquirem.
Em primeira análise, há a destruição da criticidade dos filhos em relação aos julgamentos sobre a vida e sobre as pessoas. Segundo o filósofo John Locke, em sua teoria da “Tábula Rasa”, os humanos nascem sem nenhum conhecimento da realidade, mas, ao conviverem com as pessoas e com os fenômenos sociais, eles formam seus valores e suas verdades. Entretanto, quando um dos pais aliena seus filhos, através de comentários negativos constantes perto deles, as crianças ficam com o pensamento viciado e começam a “fechar-se” emocionalmente para o genitor acusado. Segundo o psiquiatra Richard Garner, filhos com Síndrome da Alienação Parental não conseguem ter ambiguidades sentimentais em relação ao pai alienado e eles passam a vê-lo como mau incondicionalmente, sem saber o porquê racionalm….. Com isso, constata-se que a difamação entre os pais é prejudicial aos filhos à medida que esses inocentes passam a polarizar as pessoas e a atrofiar…
Além disso, há os problemas psicológicos que jovens desenvolverão durante as fases da vida. Consoante ao sociólogo Zygmunt Bauman, a contemporaneidade pratica cada vez mais o chamado “Amor Líquido”, onde as pessoas começam e terminam relacionamentos afetivos muito rápido, de acordo com as vontades individuais e momentâneas. No caso da alienação parental, pais que não estavam preparados para ter filhos, e manter uma família, não conseguem compreender, após tê-los, que eles precisam conviver em harmonia familiar, mesmo os pais não gostando mais um do outro. Quando não há essa empatia parental, problemas como depressão, agressividade e visão maniqueísta e egoísta de mundo são manifestadas nas crianças e jovens, como aponta o livro Família e Jurisdição, de Eliene Bastos e Antônio Luz. Assim, verifica-se que superficialidade de conduta dos pais é prejudicial à saúde mental e social dos seus descendentes.