Os perigos da alienação parental

Enviada em 15/04/2021

No mangá japonês “Shingeki no Kyojin”, de Hajime Isayama, Zeke Jäger é um garoto de 7 anos o qual é doutrinado diariamente por seus pais à se opor ao regime ditatorial de seu país e contribuir para uma revolução. Nesse sentido, Zeke cria um ressentimento direcionado aos seus genitores, logo, o menino decide delatar os revolucionários com o intuito de salvar a si mesmo e aos avós. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Isayama pode ser relacionada aos perigos da alienação parental. Dito isso, vale destacar as causas e consequências dessa problemática, as quais estão relacionadas à  a falta de mapeamento e notificação dos casos pelo poder público e à uma educação que não promove a autonomia intelectual das crianças e adolescentes.

A princípio, é evidente que o poder público tem sido omisso em não notificar os casos que acontecem em todo país. Afinal, a alienação parental não é facilmente identificável, e quando observada, na maioria das vezes, não é computada. Nesse prisma, toma-se como exemplo a existência de um sistema nacional de informações, o SIPIA, que não é devidamente atualizado pelos órgãos públicos responsáveis, como os Conselhos Tutelares. Em consequência, a subnotificação dificulta a solução do problema, pois sem esses dados não há como dimensionar as proporções da situação.

Ademais, as escolas não têm cumprido seu papel de promover a autonomia cognitiva dos alunos, para que esses estejam livres dos processos alienadores. Sem dúvidas, os maiores alvos desse empecilho são as crianças e adolescentes, pois são consideradas pessoas facilmente influenciáveis. Indubitavelmente, um paralelo com a teoria defendida por Sigmund Freud de que a infância é uma fase de suma importância para o acúmulo de sabedoria, pode ser usada para justificar a necessidade de desenvolver nesses indivíduos um senso crítico. Como resultado dessa falha educativa, muitos indivíduos não conseguem identificar as ações alienadoras, assumindo o discurso de um dos genitores.

Portanto, é mister que o Estado tome medida para atenuar o quadro atual. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com os Conselhos Tutelares, deve educar os indivíduos para o desenvolvimento de uma autonomia intelectual já na infância. Isso pode ser feito por meio de palestras com psicólogos e juristas em escolas, aliado a aulas com atividades que promovam reflexões críticas acerca da autossuficiência cognitiva, com o objetivo de garantir que as crianças e adolescentes filhas de pais separados possam opinar conscientemente nos processos legais de guarda. Além disso, cabe também aos Conselhos Tutelares atualizar os dados que lhes são notificados, com o objetivo de mapear o problema. Assim, a alienação parental será evitada, fazendo com os processos sejam menos desgastantes e mais pacíficos, diferente do personagem Zeke Jäger.