Os perigos da alienação parental

Enviada em 11/11/2020

A ditadura nazista- século XX- usou diversos recursos coesivos em prol da alienação populacional frente a seus interesses, como as propagandas ufanistas, que objetivavam supervalorizar as ações do governo. Para além desse contexto, a alienação se introduz em outros eixos, como o familiar, no qual fica cada vez mais evidente a alienação parental, a qual é fruto de disputas entre pais ou tentativas de isolar as crianças do contato com uma das partes progenitoras.

Sobre uma perspectiva, tem-se que os conflitos entre os pais como evidentes precursores da manipulação parental frente as crianças entre esses inseridos. Nesse viés, a medida em que as disputas entre esses responsáveis, com ênfase em divorciados, muitas vezes permeiam os jovens por eles zelados, práticas como o uso de discursos para manipular os pensamentos desses, com o intuito de conquistar algo ou para afetar emocionalmente a outra parte da relação, são cada vez mais comuns. Dessa forma, tão frequente se tornaram essas atitudes que houve a necessidade da criação da lei 13.431/2017 que visa coibir esse tipo de violência psicológica, a qual pode resultar em problemas de desenvolvimento social, devido aos constantes discursos, muitas vezes de cunho agressivo, que foram destinados à vítima, ou problemas de relação com o seio familiar, por conta das várias alegações a ela apresentadas, dificultando a desenvoltura natural e sem influências a parte.

Ademais, as tentativas de isolamento dos filhos para com um dos responsáveis, por desentendimento entre essas partes, é outro fator que contribui com o alienamento parental. Nessa perspectiva,salienta-se o pensamento defendido  pelo cientista político Emile Durkheim a partir da tese do “fato social”, a qual valida que o indivíduo é persuadido pelo meio social que o entorna, como com muitas crianças e adolescentes, submetidos a frequentes falas de um parente que convive, as quais podem ser de caráter difamatório frente a um outro, que as assimilam. Com isso, a parte manipulada cresce ouvindo diversas narrativas que objetivam afasta-la de um dos pais, manipulando seu raciocínio, o que resulta em uma complexidade no relacionamento familiar, com diversas intrigas entre pais e filhos e, inclusive, afastamentos permanentes entre esses.

Assim, percebe-se como disputadas travadas entre pais e o discurso manipulador com viés isolacionista estão atrelados a alienação parental. Portanto, é necessário que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos humanos junto ao Ministério da Educação, por meio do desenvolvimento de campanhas dentro das instituições escolares, instrua os jovens a identificar quando são vítimas de alienação parental, por intermédio de palestras elaboradas pelos psicólogos da própria escola, de forma a direciona-los a requisição de ajuda externa para lidar com a situação e evitar ser alienado.