Os perigos da alienação parental

Enviada em 13/11/2020

A agenda da ONU (Organização das Nações Unidas) de 2030 é um plano de ação global composto por dezessete metas que visam melhorar o mundo, e uma de suas tarefas é a garantia de uma vida digna a crianças. No entanto, o propósito torna-se inalcançável quando o assunto discutido são os perigos da alienação parental. Nesse sentido, esse problema deriva da coerção oral dos responsáveis, o que gera problemas psicológicos nos jovens.

Em primeiro lugar, é fundamental pontuar que a repressão pela fala é um empecilho. Nessa perspectiva, de acordo com Pierre de Bourdieu, a violência simbólica é aquela que se caracteriza por induzir o indivíduo segundo o discurso dominante. Evidentemente, a alienação parental pode ser caracterizada como uma violência simbólica, uma vez que, muitas vezes, é por meio da coerção oral que o pai ou a mãe da criança influência no pensamento dela, por exemplo, fazendo-a desejar não estar com o outro responsável. Logo, é inaceitável que na separação de cônjuges, as mágoas da relação sobrepõem a criação do filho, já que a alienação parental é extremamente prejudicial para o desenvolvimento das crianças.

Além disso, é imperativo ressaltar que uma das consequências do problema é a geração de mazelas psicológicas. Nessa perspectiva, segundo Daniel Goleman, a infância é o período que necessita de acompanhamento, visto que as emoções e as relações humanas são moldadas. Todavia, a alienação parental afeta tanto no desenvolvimento psicossomático - ofensas contra o outro responsável na presença do filho -, quanto nas relações entre o pai e o jovem - desrespeito dos horários de visitas. Dessa forma, fica evidente que a tentativa de obstrução das interações naturais entre responsáveis e filhos, tem como consequência direta a geração de problemas psicológicos.

Portanto, urge que medidas sejam tomadas de modo a minimizar a alienação parental. Certamente, para que o problema seja amenizado, faz-se necessário que o Estado, na condição de garantidor dos direitos sociais e individuais, crie propostas governamentais que visem combater a coerção dos responsáveis e os problemas psicológicos gerados. Isso será feito mediante parcerias público-privadas com empresas e escolas, com o objetivo de conduzir palestras de psicólogos que retratem as consequências geradas por tal problemática. Somente assim, chegar-se-á realidade proposta pela ONU para 2030, e por conseguinte, construir-se-á um Brasil digno para as crianças.