Os perigos da alienação parental

Enviada em 24/11/2020

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê o direito a convivência familiar, a qual deve criar o menor em um ambiente de amor, segurança e compreensão. Contudo, tal direito não passa de teoria para os jovens que sofrem com a alienação parental, visto que, a briga entre seus responsáveis traz como consequência uma má relação familiar.

A princípio, cabe destacar a articulação e a manipulação que é exercida sobre a criança. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1 a cada 3 casamentos acabam em divórcio, os quais nem sempre são amigáveis. Nesse contexto, a disputa conjugal converte o filho em um objeto de vingança, o que faz com que um progenitor implante no jovem uma imagem negativa do outro responsável pelo infante. Ademais, de acordo com o escritor Antoine de Saint-Exupéry, “todas as pessoas grandes foram um dia crianças, mas esquecem disso”, ou seja, o autor critica a falta de empatia com os menores. Dessa forma, pela falta de se colocar no lugar do filho e buscar compreendê-lo, os pais os colocam no meio do desentendimento matrimonial.

Por conseguinte, o bom relacionamento familiar é impedido. De acordo com o filósofo Sartre, “a existência precede a essência”, ou seja, ninguém nasce com caráter e princípios definidos, eles são construídos ao longo da vida. Sob essa perspectiva, é válido dizer que a família possui um papel fundamental na formação do ser, haja vista que é o primeiro contato do indivíduo com o meio social. Por isso, é essencial que a criança viva em um ambiente equilibrado e virtuoso para que desenvolva bons valores morais e se torne um bom cidadão. Portanto, é fato que a boa convivência familiar é importante para a formação do ser humano quanto ser social.

Desse modo, é evidente que os perigos da alienação parental afetam diretamente a vida das crianças. Para mudar a atual conjuntura, é preciso que o Ministério da Família, aliado ao Ministério da Saúde, disponibilize tratamento psicológico aos recém-divorciados e seus filhos, por meio de sessões de terapia gratuita, as quais serão feitas por profissionais, custeadas pelo Estado e abordarão a importância de manterem um bom relacionamento com os filhos. Assim, a fim de informar os envolvidos a respeito dos perigos da temática, espera-se que o direito constatado pelo ECA seja realidade para o máximo de crianças.