Os perigos da alienação parental

Enviada em 19/11/2020

Quando um casal se separa de forma pouco amistosa ou, mesmo vivendo junto, não se dá muito bem, não é raro uma das partes (ou mesmo as duas) usar os filhos como intermediários do que não está resolvido emocionalmente. “O comportamento padrão inicial desse pai ou dessa mãe é tentar ‘programar’ as crianças para não gostarem mais da outra parte. Este é o princípio da Síndrome da Alienação Parental”, explica a psicóloga clínica Rosa Schneider. Os passos seguintes, segundo ela, são inventar elementos para que as crianças tenham medo da mãe ou do pai que está “do lado de lá”, promover a transferência do afeto para outra pessoa – uma nova companheira ou um novo companheiro – e até tentar o distanciamento físico entre os pequenos e a outra pessoa adulta dessa disputa. É uma covardia sem tamanho, mais negativa para os filhos do que para os adultos. “As crianças são a parte mais frágil de qualquer relação. Manipular sentimentos e comportamentos dessa maneira tem consequências para o resto da vida”, afirma a psicanalista Cristiane M. Maluf Martin.

A partir do momento em que a manipulação começa a ser mais intensa, a criança reage de alguma forma. Rosa nota, nos casos que atende, que a dúvida e a desorientação são as primeiras a se manifestar. “É difícil, para um ser ainda tão inexperiente, perceber que mentiras estão sendo colocadas em jogo. Como pode o pai ou a mãe que é tão amoroso com ela ser o monstro ou a monstra que está sendo pintado? Além disso, a criança tem tanto o pai quanto a mãe como referências. É complicado quebrar uma referência por causa do que a outra diz sem que haja alguma sequela psicológica.”