Os perigos da alienação parental

Enviada em 19/11/2020

No livro “Cegueira Moral”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é relatado que em um mundo imerso no individualismo, a sociedade carece devido ao sofrimento pessoal. Sensibilidade, mais o significado inadequado do termo comunidade. Nesse caso, ao se analisar o problema da alienação parental, fica claro que a atitude indiferente descrita por Bowman é extremamente comum nos problemas do século XXI. Essa situação é resultado da falta de políticas públicas eficazes e da falta de consciência dos pais. Diante disso, é necessário discutir esses aspectos para voltar ao significado do termo comunidade ainda neste século.

É fundamental ressaltar que a alienação parental se deve ao fraco desempenho dos órgãos governamentais no estabelecimento de mecanismos de contenção dessa recorrência. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado tem a responsabilidade de garantir o bem-estar das pessoas. No entanto, essa situação não vai acontecer no Brasil devido à falta de ações das autoridades para conduzir o acompanhamento psicológico de pais separados. Como resultado, os pais usam os filhos como armas e escudos nas relações interpessoais com relacionamentos difíceis, o que acarreta sérios problemas psicológicos para os filhos, como frustração por sentimentos internos ou nojo de um dos pais. Portanto, é necessário reformular com urgência essa postura nacional.

Ademais, é imperativo ressaltar a falta de sensibilidade dos progenitores como promotor do problema. Conforme o sociólogo alemão Ralf Dahrendorf no livro “A lei e a ordem”, a anomia é a condição social em que as normas reguladoras dos comportamentos das pessoas perdem sua validade. De forma análoga, nota-se que as leis que regulamentam a preservação da prole encontram-se em estado de anomia, pelo fato de serem infringidas constantemente por casais em separação. Em decorrência desse pressuposto, não há um apoio parental ao filho que se vê entre uma separação, pois de acordo com uma pesquisa do portal de notícias G1, 72% dos divórcios que envolvem filhos terminam com a manipulação da criança por um lado. Por certo, essa atitude contribui para esse quadro deletério.

Portanto, é possível defender as medidas econômicas e sociais como um desafio a ser superado. Diante disso, o Ministério da Família deve promulgar uma lei e ser aprovada pelo Senado. A lei estipula que os pais em processo de separação são obrigados a realizar acompanhamento psicológico por meio de consultas semestrais para que possam orientar e acompanhar sua atitude em relação aos filhos. Essas consultas podem ser realizadas com a participação das crianças para melhorar a eficácia da orientação. Desse modo, os efeitos prejudiciais da alienação dos pais serão reduzidos e a comunidade contornará a “Cegueira Moral” de Bowman.