Os perigos da alienação parental
Enviada em 19/11/2020
Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, é resguardado a todos os cidadãos que ainda não atingiram a maioridade os direitos fundamentais de respeito à integridade e à juventude sem interferências destrutivas. Entretanto, ao analisar o dilema da alienação parental, a crise ética da instituição familiar e a dominação coercitiva de membros indefesos corroboram a urgência de medidas interventoras no contexto brasileiro atual.
Primeiramente, a mulher, desde a amamentação primeva, estabelece com o bebê um vínculo perene e íntimo, ao ponto de que, segundo Lacan, a mãe obtém, nesse ato, segurança afetiva e psicológica suficiente para cuidar de seu filho e formar um indivíduo confiante e autossuficiente com o passar dos anos. Por outro lado, sabe-se ainda, que os pais são a primeira referência de seus filhos e a influência deles sobre a descendência é capaz de imprimir-se, até mesmo, em decisões de longo prazo. Sobre isso, o jornalista Paul Hepburn, em seu livro “O novo papel do pai”, afirma que garotas cujo desenvolvimento foi estreitamente acompanhado pelo genitor masculino, via de regra, atingem maior grau de escolaridade, evitando gravidez na adolescência e envolvimento com drogas. Logo, observa-se que a alienação parental pode lesar profundamente a criança, pois, afeta relações de forte impacto e profundidade na vida psico afetiva e social dela, também podendo prejudicá-la em fases subsequentes. Em primeiro lugar, é fundamental analisar a filosofia ética desse paradigma. Nesse viés, segundo os imperativos do filósofo racionalista Immanuel Kant, as ações consideradas éticas são avaliadas pelo caráter categórico, ou seja, devem ser pautadas com o ideal de empatia universal, realizando de forma que o resultado seja a expectativa final da humanidade. Dessa forma, as instituições familiares falham ao aplicar o exercício ético generalizado, visto que a difamação e o discurso de ódio gerados pela alienação parental provocam distúrbios e efeitos psicológicos na formação de jovens que, nessa perspectiva, crescerão em um ambiente conturbado e distópico da expectativa moral universal.
Por conseguinte, tendo em vista que o psiquismo da progênie pode ser lesado pela negligência do convívio com um de seus progenitores, impende ao Ministério da Saúde criar projetos que, junto ao pré-natal, instrua pais e mães acerca dos perigos da alienação de sua pessoa, destacando, especialmente, o papel e a influência deles em relação à criança, desde a vida intrauterina. Tais projetos devem contar com recursos públicos, psicólogos e assistentes sociais a fim de auxiliar no desenvolvimento integral da família. Dessarte, seja o Brasil uma pátria “mãe gentil”, diferente da Itália, outrora fascista, de Giosué.