Os perigos da alienação parental

Enviada em 21/11/2020

Na obra cinematográfica “O armário de Jack”, é retratada a história de um garoto, sofrendo pelo divórcio de seus pais e constantes brigas entre o casal. Sua mãe apresenta um desequilíbrio emocional, fazendo com que Jack perca o seu amor pelo pai pouco a pouco, vindo a ter pesadelos e alucinações. Este filme reflete sobre os danos da alienação parental para a saúde mental das crianças e jovens envolvidos. Portanto, é pertinente que seja feita uma discussão e reflexão sobre o contexto da alienação e as consequências deste quadro, destacando também o papel do Estado e legislação nesta problemática.

Seguindo o raciocínio do filme, em grande parte dos casos, quem manipula psicologicamente as vítimas não tem noção do ato e tampouco dos malefícios de ações como estas. Os manipuladores acreditam que estão pregando verdades sobre o ex parceiro, mas somente estão usando seus filhos para descontar a raiva de seu fracasso amoroso. Além disso, pode-se destacar a criação de empecilhos, dificultando o convívio familiar, confundindo uma vítima ao induzi-la a odiar um de seus pais por uma justificativa totalmente pessoal.

Segundo o filósofo John Locke, crianças são como uma folha em branco, onde todas as pessoas nascem sem conhecimento algum e todo o processo do conhecer, saber e agir é formado pela experiência. Assim, ela acredita facilmente no que os pais a dizem e quando crescem e percebem que foram enganadas pela pessoa que eles mais confiavam, podem desenvolver problemas como insegurança ou isolamento.

A alienação parental causa sérios riscos para a saúde psíquica e emocional do alienado, podendo levar ao desenvolvimento de distúrbios mentais, como a depressão, ansiedade, os transtornos de identidade, insegurança, baixa auto estimativa, tendência suicidas, entre muitos outros. Por isso, podemos caracterizar-la como uma forma de abuso psicológico.

Dentre todos os fatos apresentados e a gravidade da problemática, se faz necessária medidas para contornar esta situação. É indubitável que o Ministério da Cidadania, juntamente ao Estado, formule um projeto de lei que vise a obrigatoriedade de acompanhamento psicológico para todas as crianças e adolescentes de 5 a 18 anos que tenham pais separados ou em processo de divórcio. Com o acompanhamento necessário, será mais fácil identificar se está ocorrendo a alienação parental a partir dos registros e laudos dos psicólogos, e, assim, realizar as medidas necessárias previstas na lei. Sendo realizados os ajustes necessários, essa medida melhorará a saúde mental dos jovens e crianças em seu desenvolvimento, evitando que passem por situações como a de Jack.