Os perigos da alienação parental

Enviada em 29/11/2020

A série espanhola La Casa de Papel é um dos grandes sucessos da Netflix e conta a história de um grupo de ladrões que tentam assaltar a casa da moeda. Entre os protagonistas se encontra a inspetora Raquel Murillo que é divorciada e enfrenta sérios problemas para manter a guarda de sua filha. Além disso, em um dos episódios a mãe da personagem tenta induzir a criança contra seu pai e sua namorada, irmã da policial. Infelizmente, casos assim são muito comuns na vida real, agravando o problema da alienação parental no Brasil, vindo assim, a prejudicar tanto o emocional, quanto o psicológico do menor.

Primeiramente, o problema da alienação Parental não é criminalizado ou penalizado no país. Nesse aspecto, tal realidade mostra a contradição do Sistema Legislativo, visto que de acordo com O Direito Universal das crianças e adolescentes, esses vulneráveis devem ter seus Direitos assegurados. Porém, como uma criança que se sente rejeitada pelo genitor tem esse quesito regulado? Tal falha no cumprimento da Lei escancara o descaso público em associar um mal primário aos secundários, prejudiciais à todos.

Em segunda análise, é importante salientar que as consequências do descumprimento de responsabilidade dos tutelares configura uma violência, pois prejudica a saúde mental dos filhos. Por conseguinte, as vítimas do problema são afetadas psicologicamente, e mesmo à margem de distúrbios psicológicos, não são assistidas pelo Estado como deveriam. Desse modo, a banalização do mal, criticada pela filósofa Hannah Arendt, torna-se presente. Afinal, a manipulação parental é velada pela comunidade, embora o Código Penal a proíba.

Portanto, fica evidente que a alienação parental é precursora de diversos distúrbios psicológicos e carece de intervenções no país. Em vista disso, o Estado, na figura do Ministério da Justiça, deve aprimorar a aplicação de leis e fiscalizações sobre essa manipulação familiar, de modo que haja uma parceria com os sistemas de ensino para acolher denúncias, a fim de restaurar a integridade juvenil ? uma vez que dilemas psicológicos podem causar sérias problemáticas sociais. Por fim, as prefeituras, em associação com as universidades, precisam criar campanhas e palestras públicas, através de auxílios de pedagogos e psicólogos especializados, para que, enfim, a responsabilização social erradique esse paradigma no Brasil.