Os perigos da alienação parental

Enviada em 20/11/2020

Na mitologia grega, o semideus Hércules foi condenado a realizar doze difíceis trabalhos para Eristeu, rei da cidade de Micenas, como uma forma de ser perdoado pela morte de sua esposa e de seus filhos. Fora da ficção, tal narrativa traduz a necessidade real de se tomar duras medidas frente a grandes dilemas morais contemporâneos. Dessa forma, faz-se necessário discutir os perigos da alienação parental, sendo esta problemática agravada pelo possível desenvolvimento de doenças psicossomáticas nos filhos e pelos desvios comportamentais que esses podem vir a apresentar. Tal fato reflete uma realidade complexa no que diz respeito aos seus efeitos sobre a população brasileira.

Em primeiro plano, na novela “Fina Estampa”, o personagem Quinzinho é coagido por seu pai a acreditar que sua mãe é uma pessoa má. Fora das telas, tal enredo assemelha-se ao cotidiano de muitas crianças brasileiras, que são manipuladas por um de seus pais e pressionadas a desenvolver um sentimento de rejeição em relação ao outro progenitor. Destarte, é importante frisar que essa influência parental traz uma desordem emocional muito grande, o que pode, por sua vez, acarretar no desenvolvimento de doenças psicossomáticas nos filhos, como depressão e ansiedade, por exemplo. Portanto, os jovens acabam prejudicados por essa relação desarmoniosa, o que configura um grave problema a ser resolvido.

Outrossim, no livro “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, o pequeno bruxo Harry acaba por desenvolver comportamentos antissociais e duvidosos, por conta da alienação praticada por seus tios adotivos contra seus pais. Fora da literatura, a história estabelece uma relação com a realidade, em que a alienação parental gera desvios comportamentais, uma vez que a autoestima das crianças decai e seu desempenho escolar torna-se comprometido. Além disso, os filhos tendem a reproduzir ações e comportamentos de seus pais, que muitas vezes podem ser agressivos ou possessivos. Assim, a manipulação feita pelos genitores traz reações graves, que comprometem a vida social da prole, o que reafirma a sua periculosidade.

Diante do exposto, para amenizar os perigos da alienação parental, medidas devem ser tomadas. Para isso, cabe às Escolas, responsáveis pela delegação às famílias de tarefas que influenciarão no desenvolvimento ético dos educandos, elaborar projetos de cunho social e educativo, por meio da realização de oficinas e palestras que justifiquem aos pais os riscos que a manipulação afetiva pode trazer aos filhos. Sendo assim, tais medidas teriam por finalidade gerar um pensamento crítico e, assim, diminuir o número de crianças influenciadas negativamente por seus genitores, o que contribui para sua melhor formação emocional. Somente assim evitar-se-á que novos Hércules brasileiros sejam forjados.