Os perigos da alienação parental

Enviada em 23/11/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com o alheamento parental presente na convivência familiar torna o país ainda mais distante do imaginado pela personagem. Nessa perspectiva, seja pelos riscos à saúde psíquica e emocional, seja pelas dificuldades de aprendizagem, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

A priori, é necessário destacar que o sonho de um Brasil perfeito está distante do Brasil real, visto que a alienação parental  leva o país de encontro a uma concepção idealizada por Quaresma. Isso porque, mediante a priorização do afeto e do melhor interesse da criança e do adolescente, identifica-se características de atos alienatórios. Dessa forma, os infantos que estão sob a indução de noções pejorativas por parte dos genitores, são alvos de disputa de posse e guarda dos filhos, de modo que cause distúrbios infantis e até mesmo prejudique a saúde mental das crianças. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Por conseguinte, questões sociais estão intimamente ligadas à atitudes dos responsáveis com o objetivo de tentar denegrir a imagem do outro genitor, visando prejudicar a relação entre criança e o adulto. Nesse viés, é importante salientar que essa violência psicológica provoca, consequentemente, a desatenção no ambiente escolar, acarretando dificuldades de aprendizagem. De acordo com a psicóloga Renata Bento, o filho pode perder a capacidade crítica de avaliar aspectos bons e ruins da relação  e acabar criando a ideia de que um é bom e o outro é ruim, uma vez que futuramente essa criança desenvolva depressão, perda de confiança e ter dificuldades de formar uma família. Portanto, o legado de negligência e ignorância frente essa situação persiste e impede que o Brasil prospere rumo ao desenvolvimento social pleno.

Desse modo, é preciso minimizar esse cenário. Para tanto, o governo deve conscientizar a população, por meio de debates objetivados em evidenciar os perigos do alheamento parental, estimulando a mudança das atitudes dos responsáveis diante das consequências que são causadas aos adolescentes e crianças, para que sejam formadas pessoas autorreflexivas. Assim, observar-se-ia um  brasil mais justo e bem desenvolvido.