Os perigos da alienação parental

Enviada em 21/11/2020

Para o sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, nenhuma sociedade que esquece a arte de questionar encontra respostas aos problemas que a afligem. Tal compreensão da conduta social é permanente para a discussão dos perigos da alienação parental, uma vez que a sociedade, ao negligenciar uma abordagem crítica a esse respeito, sofre reflexos de grandes proporções. Diante desse cenário, faz-se necessário o desenvolvimento de uma abordagem que priorize duas vertentes argumentativas: a desconciliação entre pais e a ineficiência legislativa acerca desse assunto.

A princípio, o desacordo entre genitores merece ser avaliado por perspectivas mais críticas na atualidade, visto que a desavença entre os mesmos reflete negativamente neles próprios e nos filhos, apresentando perigos à formação mental e comportamental de toda a unidade familiar. Assim, ao compactuar com pensamento de Bauman, observa-se que o não questionamento dos valores culturais distorcidos sobre possíveis conflitos que resultam em manipulação psicológica de crianças e adolescentes corrobora para a apresentação de hostilidade, desrespeito e medo injustificados em relação a algum membro familiar. Logo, ignorar o envolvimento coletivo para solução de problemas sociais é negligenciar a perspectiva reflexiva do sociólogo polonês.

Ademais, a ineficiência na aplicação da Lei da Alienação Parental configura outra visão a ser considerada nessa discussão, visto que tal legislação tem como propósito qualificar e mediar o exercício da maternidade e paternidade. Nessa perspectiva, torna-se fato que zelar pelo cumprimento dessa Lei em metodologias práticas é validar o pensamento da socióloga Hanna Arent, no qual afirma que o direito à dignidade é um elemento fundamental da cidadania, já que preserva tanto mental quanto moralmente crianças e adolescentes. Dessa maneira, vê-se que a moderação dos efeitos da alienação parental depende da garantia dos direitos sociais e, portanto, representa outra vertente problemática do assunto.

Portanto, são indispensáveis medidas transformadoras na mediação dos conflitos referentes à questão. Para tanto, o Governo Federal - na representação específica do Poder Executivo - deve condenar os crimes provocados pela alienação parental, por meio da aplicação da Lei vigente na Constituição Federal que garante o direito à convivência familiar harmoniosa. Essa ideia tem como finalidade identificar as ocorrências do crime e adotar as devidas consequências aos pais que estejam praticando tal ilicitude. Logo, a aplicação de medidas nessa perspectiva será capaz de apontar melhores vivências relacionadas aos perigos da alienação parental, além de adotar respostas à crítica de Bauman à inércia social.