Os perigos da alienação parental

Enviada em 22/11/2020

Segundo o artigo 7º do Estatuto da criança e do Adolescente, toda criança tem direito a um desenvolvimento sadio e harmonioso. No entanto, mesmo após 30 anos da publicação desta lei, a alienação parental ainda é uma mazela grave para o crescimento de muitos jovens no Brasil atual a qual lhes impede de ter uma infância produtiva e feliz. Nesse viés, não é razoável que a negligência da sociedade e a depressão continuem a ser regras dentro da mocidade brasileira.

Em primeiro plano, é necessário ressaltar que a trivialização da alienação parental permite a sua manutenção nos lares brasileiros e dificulta o seu combate. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, quando o mal é repetido pela sociedade sem ser questionado, ele passa a ser banal e, portanto, deixa de ser combatido pelos indivíduos. De maneira semelhante, fica evidente que a falta de informações sobre as características e consequências da alienação parental ajuda a esconder os perigos desta mazela. Dizeres populares como “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher” são maneiras nas quais há a banalização dos problemas conjugais e, por conseguinte,  dos males que afetam os infantes  envolvidos. Em síntese, conceber novas formas de esclarecer a população quanto às chagas da alienação parental é uma forma de freia-la.

Além disso, é essencial apontar, também, que o relacionamento nocivo entre pais e filhos pode levar a resultados prejudiciais e indeléveis no psicológico infantil que, por sua vez, refletem na sua vida adulta. É notório que ao ser usado como ferramenta de injúria por um dos membros da família, infelizmente o jovem é exposto a sentimentos e situações aos quais sua mente ainda não está pronta para suportar e, consequentemente, desenvolve sequelas psicológicas irreversíveis, como a depressão, apatia e a alexitimia -  dificuldade de expressar sentimentos descrita pelo psiquiatra Peter Sifneos. Nesse cenário, o indivíduo pode tornar-se um adulto depressivo, debilitado e sujeito a outras mazelas como o suicídio. Em resumo, enquanto a irresponsabilidade dos pais sobre os filhos for a situação, a população infanto-juvenil será obrigada a conviver com esses problemas psicológicos.

Fica claro, portanto, que a alienação parental representa diversos perigos que precisam ser extinguidos. Para isso, é preciso que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos aumente o esclarecimento sobre esse assunto através de oficinas de conscientização nas escolas, as quais reunirão pais, filhos e docentes a fim de demonstrar a gravidade e as consequências da alienação parental para o psicológico das crianças e suprimir este mal. Dessa forma, espera-se que o artigo 7º do ECA seja cumprido e a juventude do Brasil possa viver um presente e um futuro sadio e harmonioso pelos próximos 30 anos e além.