Os perigos da alienação parental
Enviada em 23/11/2020
A série La Casa de Papel retrata a história de um grupo de nove ladrões liderados por um Professor. Entre os protagonistas está Raquel Murillo, que tenta manter a todo custo a filha Paula longe de seu ex-marido, colocando a criança contra o pai. Embora o problema seja retratado como ficção, percebe-se a existência de casos como esse fora da ficção. Porém, muitos brasileiros não sabem que essa prática - de manipular a criança para sentir medo, ódio, desrespeito pelo pai / ou mãe - é chamada de alienação parental e que é crime. Assim, seja pelo ódio e a desconfiança nutrido pelo ex-cônjuge, seja pelo fato de não saber conviver com o ex, esse problema precisa ser combatido, uma vez que vem a prejudicar tanto o emocional, quanto o psicológico da criança.
Em primeiro lugar, é necessário ressaltar como um término problemático impacta nas crianças. Nesse viés, percebe-se que os responsáveis fazem de tudo para conseguir a guarda de seus filhos até mesmo criticar e desmoralizar o seu ex parceiro para que, a criança crie pensamentos falsos e comece a repudiar e odiar um de seus pais. Entretanto, não percebem o quanto isso é prejudicial, podendo causar danos futuros ao adolescente, como: um jovem que odeia o pai ou a mãe, vindo a se tornar uma pessoa violenta, rebelde, depressiva, introvertida e com dificuldade de confiança.
Em segundo lugar, discussões importantes, como a falta de apoio aos pais, têm ficado à margem das prioridades do governo. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil é um país jovem, isto é, pessoas novas em sua grande maioria já tem filhos. Diante disso, vale destacar que não existe nenhum tipo de instrução governamental para os jovens que têm filhos. Desse modo, ficam desnorteados sobre como criar um filho e como resultado a insegurança e pressão de criar um filho pode levar ao fim do relacionamento, o que acaba prejudicando a educação familiar da criança. Uma vez que, de acordo com o TJ-BA, em 2017 (somente na Bahia), de 13.827 separações apenas 3,14% tiveram guarda compartilhada, privando a convivência total entre pais e filhos e o gozo dos benefícios dela. Desse modo, faz-se presente a necessidade do apoio governamental.
Torna-se evidente, portanto, que a alienação parental é precursora de diversos distúrbios psicológicos e carece de intervenções no país para conter o avanço dessa na sociedade brasileira. Em vista disso, o Ministério da Justiça, deve aprimorar a aplicação de leis e fiscalizações sobre essa manipulação familiar, por meio de parcerias com os sistemas de ensino - ou redes sociais - para acolher denúncias e apoiar o adolescente. Espera-se, dessa forma, restaurar a integridade e o bem-estar juvenil.