Os perigos da alienação parental
Enviada em 24/11/2020
No livro Cegueira Moral do sociólogo polonês “Zygmunt Bauman”, é relatado que, em um mundo imerso no individualismo, a sociedade carece devido ao sofrimento pessoal. Neste caso, ao se analisar o problema da alienação parental, fica claro que a atitude indiferente descrita por Bauman é extremamente comum nos problemas do século XXI. Essa situação é resultado da falta de políticas públicas eficazes e da falta de conscientização dos pais. Diante disso, é necessário discutir esses aspectos para retomar o significado do termo comunidade ainda neste século.
Ressaltou, de grosso modo, que é fundamental que a alienação parental se deva ao baixo desempenho dos órgãos governamentais em estabelecer um mecanismo para coibir tal recorrência. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado tem a responsabilidade de garantir o bem-estar das pessoas. Porém, devido à falta de supervisão psicológica da separação dos pais pelas autoridades, isso não aconteceu no Brasil. Como resultado, os pais usam os filhos como armas e escudos nas relações interpessoais com relacionamentos difíceis, o que acarreta sérios problemas psicológicos para os filhos, como frustração por sentimentos internos ou nojo de um dos pais. Portanto, é urgente reformular essa postura nacional.
Ademais, é imperativo ressaltar a falta de sensibilidade dos progenitores como promotor do problema. Conforme o sociólogo alemão Ralf Dahrendorf no livro “A lei e a ordem”, a anomia é a condição social em que as normas reguladoras dos comportamentos das pessoas perdem sua validade. De forma análoga, nota-se que as leis que regulamentam a preservação da prole encontram-se em estado de anomia, pelo fato de serem infringidas constantemente por casais em separação. Em decorrência desse pressuposto, não há um apoio parental ao filho que se vê entre uma separação, pois de acordo com uma pesquisa do portal de notícias G1, 72% dos divórcios que envolvem filhos terminam com a manipulação da criança por um lado. Por certo, essa atitude contribui para esse quadro deletério.
Portanto, é possível defender as medidas econômicas e sociais como um desafio a ser superado. Diante disso, o Departamento de Família deve estipular que sejam promulgadas e aprovadas pelo Senado, leis para que os pais em separação sejam obrigados a realizar acompanhamento psicológico por meio de consultas semestrais para que possam orientar e acompanhar sua atitude para com os filhos. Essas consultas podem ser realizadas com a participação das crianças para melhorar a eficácia da orientação. Desse modo, os efeitos nocivos da alienação dos pais serão reduzidos e a comunidade contornará a “cegueira moral” de Bauman.