Os perigos da alienação parental

Enviada em 25/11/2020

O livro “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas do Brasil contemporâneo. Nesse viés, entende-se que a alienação parental dos filhos é uma problemática em questão na atualidade. Assim, é necessário analisar que seja pela desinformação dos filhos ou então pela soberania das vontades dos pais sobre os jovens, o entrave vem silenciosamente se agravando e precisa de reflexão urgente.

Primeiramente, cabe ressaltar que a ignorância por parte das crianças e adolescentes é corrobora com a manipulação velada feita pelos responsáveis. Nesse sentido, seguir as ordens dos mais velhos é normal, porém quando essa ação se torna abusiva, aliada ao desconhecimento da verdade é onde o problema se dá, pois o filho se torna um fantoche para realização de jogos sentimentais e extorsões.  Consoante a isso, percebe-se o uso de atitudes similares à essa durante etapas de divórcio conturbadas, às quais uma das partes tende a implantar na cabeça dos pequenos afirmações irreais com o objetivo de trazê-lo para para seu lado da disputa. Logo, entende-se que a inocência dos filhos é um fato que contribui para a facilidade de sua manipulação.

Em segundo lugar, a influência dos pais sobre o pensamentos e opiniões de seus descendentes colabora para permanência da situação. Sendo assim, por mandarem em seus filhos, acabam exercendo uma influência maior do que a ideal no modo de pensar do jovem ou da criança, moldando da forma que quer a opinião do filho sobre alguém. No caso de um divórcio, por exemplo, em que a guarda da criança fica com um dos responsáveis, o detentor da guarda, pode espelhar na opinião do filho a sua própria, difamando e denegrindo a imagem do seu outro progenitor, seja ele seu pai ou mãe. Então, percebe-se que a autoridade deturpada dos pais sobre os filhos se torna um agravante do problema, e precisa de revisão.

Em suma, o problema existe e precisa de reflexão urgente. Portanto, cabe ao governo efetivar a abrangência da lei que rege a alienação parental, aumentando a fiscalização sobre ela - por meio da visita de agentes do conselho tutelar às famílias de maior risco -, a fim de que a população seja mais bem atendida pela lei, para que esse problema se torne menos recorrente. Somente assim notar-se-á uma melhora significativa do cenário brasileiro atual próximo ao discutido por Dimenstein em sua obra “O Cidadão de Papel”.