Os perigos da alienação parental
Enviada em 23/11/2020
O episódio “Arkangel”, da série americana “Black Mirror”, retrata a história de uma mãe solteira que, em busca de monitorar sua filha, implanta na criança uma tecnologia que a permite ter total controle da menina. De forma análoga, pais divorciados buscam, na hodiernidade, exercer domínio sobre seus filhos, valendo-se não de tecnologias, mas da manipulação das opiniões destes, o que é denominado alienação parental. Embora de difícil percepção, o problema, acentuado pelo descaso governamental, gera danos psicológicos irreversíveis nas vítimas. Faz-se necessário, portanto, debater os aspectos econômicos e sociais da questão, em prol do bem-estar coletivo.
Diante desse cenário, é importante ressaltar como a baixa atuação de setores governamentais no suporte a casais divorciados é um fator preponderante para a perpetuação do problema. Nesse viés, por não receberem o apoio psicológico necessário, muitas pessoas despejam suas frustrações acerca do relacionamento em crianças, as quais crescem com versões distorcidas de acontecimentos e memórias. Nesse sentido, nota-se a gravidade da questão pois, segundo o site “G1”, 72% dos divórcios que envolvem filhos terminam com a manipulação da criança por um dos lados.
Por conseguinte, ainda convém lembrar os danos psicológicos causados em jovens que são vítimas da alienação parental, como a sensação de abandono e a dificuldade em manter relacionamentos futuros, por exemplo. Além disso, o afastamento de um progenitor pode levar tais jovens à depressão ou ao abuso de substâncias, como álcool e drogas. Nesse contexto, o filósofo alemão Arthur Schopenhauer explica que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento acerca do mundo. Destarte, é notório como a atitude cria “muros”, o que prejudica crianças e adolescentes, visto que influencia sua percepção da realidade.
É perceptível, dessa maneira, que a alienação parental é um entrave na contemporaneidade. Por isso, é imprescindível que o Governo forneça apoio à população, por meio da maior disponibilização de verbas, as quais serão utilizadas para a contratação de psicólogos nas redes públicas, a fim de auxiliar casais em necessidade. Ademais, é necessário que a mídia, como formadora de opinião, reduza o problema, por meio de propagandas que abordem o tema, com a explicação dos riscos da manipulação de crianças, assim como a divulgação de centrais de auxílio, com o intuito de esclarecer quaisquer dúvidas sobre o assunto. Dessa maneira, será possível minimizar a questão, assegurando que os desafios retratados em Arkangel possam permanecer apenas na ficção.