Os perigos da alienação parental
Enviada em 29/11/2020
Em 1980, o psicanalista Richard Gardner descreveu alienação parental como um distúrbio infantil, no qual uma criança cria um sentimento de rejeição a um de seus genitores. Hodiernamente, não é raro encontrar casos de alienação parental na sociedade, sendo existentes tanto por ausência de senso dos pais quanto por ineficiência de políticas públicas. Logo, deve-se analisar os precursores da alienação parental, bem como medidas para atenuar essa questão.
Convém, evidenciar, primordialmente que as relações amorosas não são nada simples, sendo profundamente doloroso na vida do casal o momento de sua separação. Nesse contexto, é necessário destacar que a irresponsabilidade de alguns pais após o término é o causador da alienação parental, haja vista que esses esquecem que a criança também está envolvida na relação, focando apenas em seus sofrimentos. Consequentemente, essas atitudes acabam colocando constantemente a criança em situações delicadas e confusas, como por exemplo, quando um genitor desmoraliza a imagem do outro genitor para a criança. Isso é evidente na pesquisa divulgada pelo portal de notícias G1, mostrando que 72% dos divórcios que envolvem filhos terminam com a manipulação da criança por um lado. Desse modo, a perpetuação dessas práticas colaboram para esse cenário insalubre.
Outrossim, a ineficiência de políticas públicas é outro empecilho para essa circunstância, visto que o poder público não adota medidas que evitem esses casos. Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim, o estado tem uma função moral a desempenhar e para isso deve garantir o desenvolvimento de cada indivíduo. Todavia, isso não se sucede no Brasil, pois há falta da participação das autoridades na orientação terapêutica para os pais que estão em processo de separação. Isso abre espaço para ocorrência de alienação parental, pois pais que não se divorciam amigavelmente ferem o direito básico da criança de conviver em uma família saudável e, muitas vezes, uma das partes usa a criança como arma de vingança contra seu ex-parceiro, podendo desenvolver problemas graves, como depressão e ansiedade. Dessarte, é necessário a melhora da conduta governamental na proteção da prole.
Infere-se, portanto, que é necessário combater a problemática da alienação parental na sociedade brasileira. Para tanto, a escola, principal formadora da moral, deve organizar palestras e debates com psicólogos, por meio de projetos educacionais, sobre assuntos relacionados à família que podem afetar o comportamento da criança, como a própria alienação parental, visando informar os responsáveis as consequências de certas atitudes. Já o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MMFDH), com o apoio do poder legislativo, deve criar leis especificas que obriguem pais em curso de separação, a frequentar acompanhamento terapêutico. Só assim, o país será livre de casos de alienação parental.