Os perigos da alienação parental
Enviada em 26/11/2020
Aprovada em setembro de 1988, a então conhecida como Constituição Cidadã, é um exemplo no que diz respeito à garantia dos direitos fundamentais humanos. Porém, a sociedade brasileira ainda luta por certas questões que são essenciais para o bem estar da população. Sob esse prisma, observa-se a temática da alienação parental, criminalizada apenas em 2010 e pouco discutida entre o público. Esse fato requer atenção, pois os riscos de tal embate familiar são duradouros, visto que afetam a formação da saúde mental das vítimas e transitam entre gerações familiares.
Em primeiro plano, ganha particular relevância o fato do desenvolvimento psicológico infanto-juvenil ser afetado em uma situação de desnorteamento doméstico. Tal discussão, tangencia a ideia de Henri Lacordaire, religioso francês, que afirma que a sociedade é o desenvolvimento da família. Portanto, o fato de uma criança, em pleno amadurecimento psicológico, sofrer confusões psíquicas constantes no seu ambiente de vivência, implica em se tornar um adulto com as mesmas incertezas. Assim, pode-se afirmar que prolongamento dos resultados dessa perturbação é uma ameaça ao bem estar coletivo.
Em segundo plano, cabe ressaltar que a continuidade das consequências da alienação familiar chegam a cruzar gerações. Nesse contexto, em sua canção “Como Nossos Pais”, a cantora e compositora Elis Regina afirma: “apesar de termos feito tudo o que fizemos; ainda somos os mesmos; e vivemos como os nossos pais…”. Ou seja, para Elis, por mais que as as pessoas tentem mudar, parte da sua cultura de criação, essa ainda reflete nas ações futuras, como o próprio ato de educar os filhos. Então, é de se esperar que uma criança que sofre com impasses e brigas entre os progenitores, e é forçada por um deles a odiar o outro, inconscientemente tenderá a repetir tais ações na criação de seus descendentes. Logo, é notório que os perigos das controvérsias domésticas são acumulativos, o que denota um risco maior ainda.
Diante desse cenário, é necessária uma ação que, ciente dos malefícios da alienação parental para o bem estar social, busque minimizar esse quadro. Cabe aos canais televisivos abertos a tarefa de divulgar, através de propagandas em intervalos comerciais, campanhas contra essa prática, que abordem as ameaças das mesmas e incentivem as crianças a denunciarem-nas. Também, é dever do Ministério da Cidadania a tarefa de procurar incidências desses casos, por meio de pesquisar e fiscalizações em ambientes familiares, realizando entrevistas às crianças e adolescentes sobre o convívio familiar. Deste modo, espera-se que a sociedade brasileira esteja informada sobre os riscos desses conflitos familiares e apta a denunciar, para exterminar esse ato nas próximas gerações.