Os perigos da alienação parental

Enviada em 30/11/2020

A separação do casal Gusttavo Lima e Andressa Suita trouxe à tona o questionamento sobre como seria a relação dos astros com seus filhos. Cotidianamente, são recorrentes os casos de comportamentos persuasivos de ex-cônjuges ante seus descendentes, ocasionando um problema silencioso, definido pelo psiquiatra norte americano Richard Garden como “Síndrome da Alienação Parental”. Com efeito, há de se combater o individualismo dos genitores, a fim de se evitar o desenvolvimento socioemocional problemático dos descendentes.

A princípio, o egoísmo parental fere a integridade de seus filhos. A esse respeito, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão - promulgada no Iluminismo - afirma que a família deve garantir o bem-estar das crianças. Ocorre que os frequentes casos de assédio parental subvertem a garantia iluminista e implicam em graves consequências psicológicas aos infantes, assim como ilustram a indiferença proveniente dos pais. Assim, é incoerente que a dignidade infantil seja prejudicada por quem deve, em teoria, contribuir para sua manutenção.

De outra parte, a problemática implica em graves mazelas socioemocionais. Nesse viés, o médico grego Peter Sifneos definiu como “Alexitimia” a dificuldade de expressão de sentimentos decorrente do mau relacionamento entre o indivíduo e seus genitores. Sob essa ótica, muitos pais têm comportamento cruel e imprudente com seus filhos, haja vista a impunidade e ausência de senso crítico do infante e a prática da Alienação Parental, ocasionando um ambiente tóxico e propício para o desenvolvimento do conceito de Sifneos, de sorte que impossibilita seu combate. Dessa forma, enquanto se mantiver a irresponsabilidade familiar, o Brasil será obrigado a conviver com um dos mais graves problemas do desenvolvimento: a perpetuação da Alienação Parental.

Posto isso, é evidente que essa mazela precisa ser atenuada em território brasileiro. Cabe, portanto, às escolas - formadoras de cidadãos - contribuir na erradicação ao individualismo parental por meio de projetos pedagógicos, compostos por palestras e oficinas, que convidem os pais à ação. A medida poderia se chamar “Lar Saudável” e teria a finalidade de elucidar os responsáveis acerca da importância da integridade do infante e dos perigos silenciosos da alienação parental. Desse modo, será possível alcançar uma nação livre dos prejuízos e da síndrome de Richard.