Os perigos da alienação parental

Enviada em 26/09/2021

Na novela “Bom Sucesso”, evidencia-se a história de Paloma, uma jovem mãe que foi abandonada pelo cônjuge e teve que arcar com a responsabilidade de criar os filhos sozinha. Fora da dramaturgia, ampliou-se o debate acerca dos perigos da alienação parental. Destacam-se, diante disso, dificuldade de socialização e traumas psicológicos como resultantes dessa ausência. Portanto, faz-se vital ratificar a responsabilidade e retificar a visão ultrapassada em que é papel exclusivo da mãe a criação dos filhos.

De início, cabe salientar a importância do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de forma que o Estado tem o compromisso de certificar e promover os cuidados adequados a essa classe, como os documentos de identificação do indivíduo, o direito que ir à escola e as condições básicas de subsistência. Entretanto, inúmeras crianças não possuem o registo de paternidade nas certidões de nascimento, o que inviabiliza o requerimento da pensão alimentícia e da guarda compartilhada. Nesse sentido, é notório que as leis carecem de efetivação e facilitam a irresponsabilidade da figura paterna para com a criança.

A posteriori, outro fator que delimita o impasse é o machismo cultural na sociedade brasileira, o qual reflete na criação dos filhos e perpetua o descaso do dever paterno entre gerações. Conforme Talcoot Parsons, sociólogo estadunidense, “as famílias são máquinas que reproduzem personalidades humanas”. Logo, a vulnerável participação patena na criação dos filhos é resultado de um conceito de masculinidade nociva, de maneira que em muitos casos determina a figura materna o papel de amar, educar e proteger.

Por tudo isso, é necessário instigar a paternidade coerente no país. Assim, urge que o ECA promova a criação de políticas públicas de assistência as mães que perderam contato com os pais, de forma que sejam regularizados os direitos da criança e do adolescente, como também a guarda compartilhada seja obrigatória, com intuito de ampliar o contato da criança com o pai. No mais, o Poder Executivo deve repassar verbas suficientes à Mídia para estimular a ressignificação do pensamento machista na sociedade e os impactos do abandono paterno, como abortado na novela “Bom Sucesso “. Quiçá, poder-se-á equilibrar as relações familiares no Brasil.