Os perigos da alienação parental

Enviada em 11/01/2021

A Constituição Federal de 1988 - promulgada com base nos direitos humanos - estabeleceu uma importante norma para a vida social: a proteção à família. Todavia, a ocorrência da alienação parental na sociedade contemporânea coloca a efetivação do direito constitucional em dúvida. Nesse viés, tal quadro ocorre em virtude da ausência de debates e, por conseguinte, ocasiona diversos malefícios mentais para as crianças.

Diante desse cenário, é válido ressaltar que a falta de campanhas informativas acerca da temática corrobora para sua existência. A esse respeito, Jurgen Habermas - filósofo alemão - desenvolveu a Teoria da Ação Comunicativa, no qual alega que a linguagem constitui uma importante ferramenta de transformações objetivas, subjetivas e sociais no mundo. Nessa perspectiva, substancial parcela da população brasileira não possui conhecimento acerca da alienação parental, o que dificulta as famílias a reconhecerem seus comportamentos e corrigi-los, como adverte Habermas. Dessa maneira, enquanto essa lacuna informativa for oculta, o Brasil precisará lidar com esse grave imbróglio social.

Outrossim, tal manipulação mental desempenha inúmeras consequências às vítimas. Nessa lógica, Peter Sifneos - médico psiquiatra - afirma que o relacionamento tóxico com os genitores pode provocar a perda da demonstração de afeto nos indivíduos, termo conhecido como alexitimia. Assim, quanto maior a influência negativa transmitida pelos pais, seja por chantagens, conselhos ou castigos, maior será o bloqueio emocional gerado nos filhos como mencionado por Sifneos. Dessa forma, enquanto a alienação parental estiver presente nos lares, crescerá o percentual dessa lamentável condição: a dificuldade em demonstrar sentimentos.

Portanto, a fim de sanar as dúvidas ante ao direito constitucional, deve-se realizar algumas intervenções. Para isso, cabe às escolas promover a ampliação do conhecimento acerca do entrave, detalhando seus sinais e suas consequências, por meio de campanhas informativas com a comunidade acadêmica. Ademais, essa ação deve ter o intuito de fazer com que muitas famílias reavalie suas inter relações e deverá levar o nome de “Notificações que libertam”. Logo, o país estará livre de um grave problema que implica diretamente no bem-estar coletivo.