Os perigos da alienação parental

Enviada em 11/01/2021

No filme “História de um casamento”, do portal de “streaming” Netflix, retrata-se o processo de divórcio de uma familia e as dinâmicas relacionadas com os sentimentos dos filhos, estes últimos, objeto de disputa do casal. De maneira sutil é introduzido o debate sobre alienação parental, que é definido como a interferência no psicológico da criança induzida por um dos genitores. Embora frequente e apresentando nuances e gradações, como no filme citado, esta prática criminosa precisa ser discutida, reprovada e combatida devido aos malefícios que a mesma traz.

Segundo o filósofo grego Aristóteles, o ser humano se constitui em um ser fundamentalmente social. Logo, alienar um dos pais significa deturpar esta relação social imprescíndível para a formação dos laços amorosos da criança. Ainda mais, alguns pais tentam defender a alienação com a falsa justificativa de que estão protegendo os filhos, alegando que o genitor alienado é uma pessoa desprovida de qualidades. Neste sentido, cabe argumentar com base no estudo desenvolvido pela filósofa Hannah Arendt, que o bem e o mal não são mutuamente excludentes, mas sim, relativos. Logo, o fato de uma pessoa ser mau cônjuge não significa que esta se constituirá em mau pai ou mãe.

Em segundo lugar, as conseguências do papel alienante de um dos genitores podem ser terríveis e confituosas na mente de um jovem. Na música “Pais e Filhos”, do grupo Legião Urbana, é narrado um fato real que inica-se com um suicídio na frase: “Ela se jogou do quinto andar” e é indicado ao longo da música que esta atitude pode ter suas raízes na alienação parental. Como solução, o autor da música insta por uma relação de amor e entendimento entre país e filhos. Dessa forma, fica claro que as atitudes tomadas com relação as iniciativas de alienação parental têm efeitos dos mais adversos no psicológico do jovem, necessitando que tal prática seja abolida independente de seu carater ser sutil ou não.

Portanto, não se pode banalizar a alienação parental e esta não pode ser fomentada por nenhum responsável. Cabe aos pais e responsáveis tomar atitude contrária a esta prática, visto que esta se inicia muitas vezes no próprio núcleo familiar. Isso pode ser feito por meio do autocontrole emocional e da racionalização de que o bem do jovem vem antes da necessidade de ataque contra o outro progenitor. Além disso, refletir sobre quais os motivos pelos quais o casal inicalmente se uniu, como no filme “História de um casamento”, ajudará a manter um conceito equilibrado sobre o cônjuge mesmo que a relação afetiva tenha terminado, evitando assim, o flerte com a alienação parental. Como efeito, será possível criar uma relação entre pais e filhos que respeita o amor mútuo, a individualidade e a urgência de relações familiares saudáveis como no apelo da música do grupo “Legião Urbana”.