Os perigos da alienação parental
Enviada em 15/01/2021
Em meados do século XX, o escritor austríco Stefan Zweig fugiu de seu país sob ameaça nazista, e encontrou refúgio no território canarinho. Impressionado com o potencial da nova casa, escreveu um livro intitulado “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se observa a questão da alienação parental, verifica-se que o ideário exposto por Stefan não saiu do papel. Dessarte, essa realidade deve-se, essencialmente, à negligência estatal e ao descaso social.
Mormente, a Constituição Federal de 1988, concebida por meio do processo de redemocratização, prevê, como garantia fundamental, a proteção à infância, bem como um ambiente familiar que favoreça a estabilidade emocional, já exposta no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Apesar disso, o próprio Poder Estatal, por falta de políticas públicas, fere a legislação. Consoante a isso, o Ministério da Cidadania não promove, de maneira efetiva, a propagação de informações acerca da necessidade de uma família bem estruturada para a prosperidade e bem-estar de seus filhos. Diante disso, percebe-se que a inércia estatal representa um dos porquês do problema.
Outrossim, é fulcral frisar que a problemática encontra terra fértil na falta de ativismo social. Nesse ínterim, conforme o representado pelo sociólogo polaco Zygmunt Bauman, o individualismo e a inexistência de vigor nas relações contemporâneas é uma característica da “Modernidade Líquida”. Sobre isso, tal temática relaciona-se intimamente à falta de empatia na questão da alienação parental, demonstrando o descaso da família frente à saúde mental do filho, além da fragilidade na relação familiar, característica notória nas relações sociais do século XXI. Diante disso, as vítimas da alienação se tornam vulveneráveis a mais problemas, o que prejudica a plena vivência de cidadania.
Isto posto, é imperioso a promoção de ONGs (Organizações não governamentais) para a resolução do impasse. Para tanto, o Instituto Ethos, aliado ao “Akatu” (Associações destinadas à concepção de uma comunidade sem conflitos), devem pressionar o Poder Executivo, por meio de campanhas nas redes sociais, para que ocorra a realização de palestras educacionais alertando a sociedade sobre a necessidade de lutar contra a alienação parental, uma vez que ela se apresenta como um grande óbice ao desenvolvimento da criança e do adolescente, de modo que ocorra a massificação do termo na coletividade, tendo como finalidade promover uma conscientização social uma diminuição no número de casos. Assim, a ideia de Zweig deixará de ser ficção e, finalmente, será efetivada.