Os perigos da alienação parental

Enviada em 15/01/2021

“Mito da carverna”, livro redigido por Platão, filósofo grego, denota os indivíduos que vivem na ignorância, o que os afasta da razão e os impede de atingir o verdadeiro mundo real. Nesse sentido, ao aplicar tal dinâmica à conjuntura familiar, constata-se que o controle progentior autoritário, muitas vezes, danifica o potencial de evolução racional de seus filhos, velando-os da realidade, o que evidencia os perigos da alienação parental na sociedade. Por isso, graças à supressão da autonomia crítica e à concepção exterior limitada das novas gerações, tal problemática assola a coletividade.

Em primeiro plano, a coibição do livre pensamento pelos pais é um agravante do problema. Nesse viés, o episódio de Galileu Galilei no século XVI, o qual, por propor um novo modelo heliocêntrico do espaço, foi suprimido e punido pela Igreja Católica, a qual estava atrelada ao modelo geocêntrico, exemplifica um cenário de opressão pelas autoriades superiores. Sob essa óptica, paralelamente ao modelo familiar, a partir do momento em que o controle dos progenitores veta a autonomia crítica de seus descendentes, proibindo ideais próprios das crianças, há um grintante caso de alienação parental, o que limita a evolução da razão própria nas novas gerações. Logo, devido à supressão de entidades maiores - os ascendentes, como no episódio de Galileu Galilei, a razão juvenil é comprometida.

Ademais, é significante observar como a limitação da percepção exterior dos descendentes amplifica, ainda mais, o quadro. Nesse contexto, segundo a máxima do escritor inglês Christopher Morley, é impossível converter um homem se reduzido ao silêncio. Dessa maneira, paralelamente a essa linha de raciocínio, no instante em que o domínio progenitor, por meio da imposição unilateral de seus ideais, estrutura a concepção das crianças, o que limita a percepção da realidade destas, o “Mito da carverna” se faz legitimado, evidenciando que, ao submeter os indivíduos à ignorância, é construída uma visão irreal de mundo externo, formulada nos moldes de quem a faz. Assim, graças aos obstáculos trazidos pelo cenário lamentável, são necessárias medidas interventivas.

Depreende-se, portanto, que a alienação parental é tida como um desafio e carece de soluções. Sendo assim, o Estado, amparado no Estatuto da Criança e do Adolescente, por meio de campanhas colaborativas, as quais reúnam as famílias em palestras que discutam o nível do controle progenitor concedido, deve atenuar o domínio da mentalidade dos descendentes e incentivar o pensamento livre entre as crianças, a fim de, desse modo, suprimir a alienação e garantir a autonomia crítica e, por conseguinte, fazer com que a nova geração tenha uma visão de mundo diferente e se livre da ignorância descrita no “Mito da Caverna”.