Os perigos da alienação parental

Enviada em 20/05/2021

O seriado “A casa da Raven”, continuação do sucesso “As visões da Raven”, retrata a vida das duas amigas Rae e Chelsea, ambas mães divorciadas. A protagonista é mãe de gêmeos e mantém uma relação saudável com seu ex-cônjuge, enquanto sua melhor amiga vive o oposto, o que dificulta na criação de seu filho. Fora das telas, casos como o de Chelsea acontecem com frequência, isso se dá pois: casais, ainda em relação estável ou não, usam os filhos como instrumento para desqualificar o outro parceiro, de forma direta ou indireta, também, a presença de estigmas que impedem o debate acerca das causas e consequências dessa atividade fomenta para a perpetuação deste problema em nossa sociedade.

A “priori”, a síndrome de alienação parental, SAP, é caracterizada pela utilização de um ou mais filhos por um de seus responsáveis para desqualificar o outro guardião das atividades correspondentes à criação do menor. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, TJMG, os casos dessa natureza são cada vez mais frequentes, o aumento destes entre 2016 e 2017 foi de quase 100%, de cerca de 550 para mais de 1000 denúncias em um ano. Assim como é exibido na série televisiva, essa atividade nem sempre é explícita, ela é realizada através micro ações, as quais muitas vezes não são perceptíveis. Assim, a problemática se dá pois em tese, quem deveria cuidar e amar, torna-se o motivo da dor, já que a alienação parental é um abuso psicológico e pode ser considerado crime segundo a lei 13.341/2017.

Além disso, o estigma de que problemas familiares não podem ser discutidos abertamente corroboram para a perpetuação de práticas do tipo. O silenciamento dessas vozes torna o problema ainda mais complexo, visto que a normalização de obstáculos familiares com pensamentos do tipo “Problema familiar não se discute”, “Os adultos sempre sabem mais” desestimula a denúncia de atos de abuso. Paralelamente, por não haver conversas sobre o assunto, a desinformação também ajuda para a continuação da prática. Logo, o mapeamento das queixas representa apenas uma parcela do número real.

Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas de modo a reparar este problema. Urge que o Estado, por meio do MEC, promova debates em ambientes escolares sobre o tema, levando mais conhecimento para a juventude, logo, estes estarão mais preparados a identificar certos abusos e saberão como denunciar. Além disso, órgãos judiciais devem promover oficinas de terapia para casais separados ou em processos de separação advertindo-os sobre os perigos da alienação parental e como manter uma convivência saudável. Somente assim, será possível estimular uma maior harmonia entre as famílias e deixar este problema apenas na ficção.