Os perigos da alienação parental

Enviada em 19/08/2021

A música “Dollhouse”, da cantora norte-americana Melanie Martinez, faz um comparativo entre a vida familiar e uma casa de bonecas, onde todos os integrantes precisam ser perfeitos no encaixe na sociedade. Entretanto, a cantora usa como metáfora a frase, em sua tradução, “Não deixe que olhem atrás das cortinas.”, para expressar a ideia de oposição, revelando as imperfeições que a família guarda. Ligado a isso, mesmo de forma velada, a alienação parental se configura de forma muito presente nos términos de relações civis. Evidenciando-se em um papel de manipulação, seja pelo despreparo psicológico social, seja pelo isolamento da vítima, o alheamento parental é uma problemática a ser trabalhada e que muitas vezes é silenciada pela própria corporação.

Primordialmente, o papel da saúde mental na sociedade ainda se encontra banalizado. Pessoas instáveis constroem relações desestruturadas, o que é um ponto de partida para o ato de alienar como forma de vingança. O filme brasileiro “Minha mãe é uma peça” representa, por meio da comédia, a vida de dois jovens que vivem entre a tribulação da separação dos pais e como isso afeta em suas relações com ambos. Com isso, a descarga emocional feita sobre descentes de um casal é resultado de um abalo mental que reflete a falta de maturidade dos adultos. Hodiernamente, pouco se discute sobre a pauta, o que limita o conhecimento tanto para quem pratica o crime, como para quem sofre com ele, favorecendo os perigos da elienação. DIálogos sobre amadurecimento, fortalecimento psíquico e autoconhecimento são relevados na construção social.

Acrescenta-se também que, muitas das vítimas da alienação nem reconhecem que passam por esse processo. Como supracitado, o filho ou a filha recebe um abalo sentimental devido a confusão estabelecida entre os pais, gerando, então, problemas como ansiedade, depressão e insegurança. Visto que, programas de televisão, meios midiáticos e o ambiente escolar se ausentam sobre o assunto, a desconfiguração mental, familiar e pessoal se mostra como consequência do “tabu”, dando continuidade a essa imperfeição que já se encontra no corpo civil, mas é escondida pelas aparências.

Em síntese, cabe aos meios escolares proporcionarem rodas de conversas entre alunos sobre o esclarecimento desse assunto, por meio de palestras que ofertem até mesmo um convite para os pais dos aprendizes, a fim de conscientizar e proporcionar a auto identificação de quem sofre com o ato. Também é eficaz que a pauta seja mais debatida nos meios midiáticos, desconstruindo, aos poucos, a ideia distorcida sobre o assunto e dando abertura para que adultos reflitam sobre suas relaçãos e sobre atitudes imaturas que influênciam nesse eixo. Para que ao fim, retomando a música “Dollhouse”, pessoas não sejam controladas como uma boneca em sua casa de brinquedo.