Os perigos da alienação parental

Enviada em 24/08/2021

Com o advento da Modernidade e da globalização, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a liquidez das relações sociais se consolidou no atual cenário em que famílias, antes unidas, enfrentam o divórcio cada vez mais precoce e a luta pela guarda dos filhos. Nesse ínterim, a manipulação psicológica da criança para a conquista do direito ao seu cuidado por um dos pais gera consequências negativas no comportamento do aliendado, além de ser perpetuada pela falta de medidas punitivas e imparciais por parte das autoridades e pelo comportamento egoísta e possessivo de parte dos pais.

Em primeira análise, é indiscutível que a displicência governamental é uma das causas do problema em questão. Tal fato se opõe ao pensamento do filósofo Thomas Hobbes, segundo o qual a função primordial do Estado é garantir os direitos fundamentais para cada cidadão, como o tratamento e o suporte igualitário perante a lei, fato que conserva a justiça coletiva. Nesse sentido, a utilização da inocência de crianças e de adolescentes para atacar, sem as provas necessárias, o genitor, o qual busca o cumprimento correto das leis, em muitos casos, é ignorada pelos órgãos responsáveis por essa discussão, o que permite a impunidade do abusador e a derrota inconstitucional do atingido pela manipulação da vítima, a qual alimenta sentimentos (como a mágoa e a raiva) não justificáveis.

Outrossim, evidenciam-se as atitudes prejudiciais que parcela dos familiares envolvidos em separações constroem para a alienação do menor de idade na disputa pelo seu cuidado. Isso se relaciona à série televisiva “One million little things”, na qual o casal Eddie e Katherine, ao se divorciarem, criam situações que visam ao distanciamento de seu filho em relação ao outro, fato o qual torna mais recorrentes as discussões familiares. Nesse viés, a falta de diálogo entre os pais, seguida de sentimentos de ciúme e possessividade, propicia a manipulação dos filhos em prol da indiferença ligada ao genitor, o que perpetua a agressão psicológica ligada à criança.

Entende-se, portanto, a necessidade de mudanças substanciais no quadro em questão. A fim de atenuar a problemática, o Governo Federal deve instaurar investimentos direcionados ao combate à alienação parental dos pequenos, por meio da constante capacitação dos profissionais responsáveis pelos processos jurídicos de disputa pela guarda de um filho, para que o abuso psicológico feito por um dos pais seja identificado e punido da forma correta e essa prática seja menos recorrente. Ademais, a realização de palestras destinadas à sociedade em geral, as quais auxiliem as famílias brasileiras na conquista da harmonia no seio familiar, são essenciais para que haja respeito e amor entre pais e filhos, mesmo em situações de separação. Desse modo, a alienação parental será combatida com efetividade.