Os perigos da alienação parental

Enviada em 09/09/2021

Consoante às concepções do sociólogo Émile Durkheim, a família é a primeira instituição na socialização primária. Nesse sentido, devido a esse poderio sobre a mente volátil de crianças e adolescentes, a alienação parental tornou-se perigosa, uma vez que corrompe a harmônia entre um dos pais e seus descendentes. À luz desse enfoque, é fulcral ressaltar que essa perversa realidade tem raízes na inoperância estatal e na letargia social.

Diante desse cenário deletério, cabe salientar, precipuamente, a indiligência governamental no espectro brasileiro. Nesse viés, em conformidade com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Cidadania se tornou uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações e políticas públicas que coíbam a alienação parental. Isso é perceptível, lamentavelmente, pela alta burocracia e ineficácia no sistema de repartição da guarda juvenil, que tem como consequência conflitos no seio familiar decorridos da prolongação desse estresse burocrático. À vista disso, infere-se que a insuficiência da máquina administrativa estatal cerceia as crianças a uma realidade de divergências de pensamentos na família.

Além dessa mácula governamental, também são preocupantes, no cerne da contemporaneidade, as origens e consequências da ignorância social. De certo, mediante os dogmas do filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma simetria entre essa teórica ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros normalizaram o pensamento de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, o que gerou frutos como a negligência de outros familiares das crianças na hora de intervir em caso de suspeita de alienação parental. Isso posto, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, porquanto, enquanto a sociedade for inerte, os conflitos entre os pais será banalizado e as crianças continuarão a serem manipuladas.

Dessarte, fica claro que os fatos supracitados são a gênese desse revés. Assim, o Ministério da Cidadania deve promover campanhas informacionais sobre alienação parental, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, principalmente no Instagram e no Facebook, a fim de fazer com que o corpo social deixe sua inércia e, com efeito, que os familiares próximos às crianças hajam corretamente quando houver suspeita de alienação. Outrossim, esse instituto deve reavaliar os processos legislativos, diminuindo o estresse em casos de separação entre os pais do público infanto juvenil. Espera-se, com isso, que a harmônia entre um dos pais e seus filhos não seja mais corrompida.