Os perigos da alienação parental
Enviada em 30/09/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado adequadamente na prática quando se observa a alieneção parental, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social crucial. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse lastimável quadro.
Nesse cenário, é importante considerar o fator grupal. Conforme o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa – ou seja, o diálogo – constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Nesse ínterim, a falta de estímulo ao debate a respeito da alienação parental no Brasil hodierno, todavia, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, ocasiona em uma sociedade que desconhece a grandeza do problema, e assim, não leva em consideração a responsabilidade psicológica pelo outro genitor, visto que não tem informações acerca das consequências de ficar destilando pontos de vista negativos sobre o outro responsável com a criança. Destarte, discorrer criticamente a problemática é o primeiro passo para consolidação do progresso sociocultural habermaseano.
Outrossim, a omissão da mídia quanto a alienação parental ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Nesse viés, o filósofo Foucault defende que na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, pode-se observar que a mídia, em vez de promover matérias que elevem o nível de informação da população sobre como a alienação parental afeta no desenvolvimento social infantil e o modo dele se relacionar com seu responsável, acaba contribuindo com o aumento da falta de conhecimento da população sobre a problemática, influenciando na consolidação do problema. Sendo assim, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar
Entende-se, portanto, a temática como sendo um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com terapeutas familiares, com o objetivo de mostrar as reais consequências do problema, apresentar a visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, trazer o assuntos em rodas de escolares juntamente com os pais delas. Assim, os direitos garantidos pela Constituição, como a saúde mental dos constituintes desse laço familiar será garantido plenamente.