Os perigos da alienação parental
Enviada em 15/11/2021
Na série de livros e filmes “Harry Potter” não são poucos os episódios de alienação parental, nos quais pessoas responsáveis pelo protagonista, principalmente seus tios, realizam comentários pejorativos sobre os pais de Harry, provocando tristeza, agonia e, às vezes, respostas violentas. Contudo, esse tipo de cenário danoso à saúde mental e social de um jovem não está restrito à ficção, mas acomete diversos adolescentes e crianças no Brasil, prejudicando seus desenvolvimentos pessoais e suas capacidades de relacionamento.
Em primeiro lugar, é oportuno salientar que a alienação parental resulta em chagas psíquicas não só à criança como também ao genitor alienado. É o que ocorre, por exemplo, em “História de um casamento”, filme norte-americano que retrata todo o sofrimento psicológico suportado por Nicole, Charlie e Henry, o filho do casal, durante um processo de divócio, sendo que na trama pai e mãe ocupam o posto de alienador parental. Fica evidente, portanto, que esse tipo de comportamento lesiona todo o grupo familiar e aumenta consideravelmente as chances de desenvolvimento de doenças mentais, como depressão e transtorno de ansiedade, em pais e filhos.
Por conseguinte, tem-se um quadro que viola direitos já consagrados pelo ordenamento jurídico interno do Brasil, pois o artigo 223, da Constituição, estabelece que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar que a criança e o adolescente não passem por episódios de sofrimento que obstem seu amadurecimento saudável. Assim sendo, vê-se que a referida norma constitucional encontra-se em vias de inaplicabilidade fática, aproximando o país do cenário histórico medieval denominado “fase da infância negada”, durante o qual os jovens eram vistos, tratados e punidos como adultos, dificultando enormemente o seu crescimento socioemocional. Essa situação, certamente, configura-se como desagregadora e não pode ser negligenciada.
Destarte, cabe ao Governo Federal providenciar, em parceria com os Estados e municípios, uma rede nacional de apoio, com psicólogos e assistência jurídica, para o acompanhamento de divórcios e separações, uma vez que são esses os momentos mais propícios para que um dos pais ou familiares próximos assuma o papel de alienador. Nesses locais, as famílias devem receber orientações sobre os prejuízos da alienação parental e como impedi-la, bem como, quando necessário, suporte psicológico para superar ou evitar traumas causados por comportamentos de tal monta. Espera-se, com essa medida, frear os impactos negativos da alienação parental na sociedade brasileira.