Os perigos da alienação parental
Enviada em 26/10/2021
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelos perigos da alienação parental é, amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar os impactos deste problema, que é favorecido pela insuficiência das medidas estatais pra conte-lo.
A priori, é preciso considerar os sérios efeitos da prática da alienação parental, sobre a vida das filhos. Segundo a neurociência, sabe-se que as crianças são altamente impactadas pelo ambiente em que estão inseridas, devido à sensibilidade de seus cerebros ainda em desenvolvimento. Sob esta perspectiva, quando a criança é colocada no intermédio de uma situação de constante conflito, como o da situação discutida, esta recebe uma sobrecarga emocional desmasiadamente intensa, o que colabora pra o desenvolvimento de problemas psicológicos como ansiedade e depressão, além de ocasionar um baixo rendimento escolar.
Assim sendo, deve-se apontar a carência de medidas estatais para conter o problema. Para Thomas Hobbes, é dever fundamental do Estado regular as relações humanas, e garantir a harmonia social. Nesse sentido, por mais que hajam mecanismos que tentam coibir a prática da alienação parental, o manejamento do problema está longe de ser o ideal, pois não há medidas de prevenção específicas para evitar a instauração deste problema, o que seria o adequado, devido ao já citado efeito que essa situação pode fazer na vida das crianças.
Depreende-se , portanto, a necessidade de ações proporcionais à gravidade deste impasse. Para isso o Governo federal, através do poder legislativo e aplicação de verbas públicas, proporcione um apoio psicológico especial às crianças que são filhas de pais separados, assim como para o prórpio ex-casal, a partir da incumbência imposta sobre os tutores, de comparecerem periódicamente com os filhos, para serem atendidos separadamente, por um psicológo. Assim, todos aprenderão a lidar com a situação de modo saudável, e os pais também se concientizarão das medidas penais cabíveis. Espera-se então, que assim, os sofrimentos emocionais retratados por Munch se delimitem apenas ao plano artístico.