Os perigos da alienação parental

Enviada em 01/11/2024

Na canção “Vilarejo”, de Marisa Monte, suscita-se a existência de um mundo ideal nos versos “Terra de heróis, lares de mãe; paraíso se mudou para lá “. Fora da esfera musical, esse lugar representa a esperança dos indivíduos afetados pelos perigos da alienação parental. Todavia, essa existência se torna utópica devido à negligência governamental, além da falta de empatia de uma sociedade passiva. Assim, ações são necessárias para reverter esse cenário.

Sob esse prisma, é pertinente ressaltar que a alienação parental é causada pela inoperância do Poder Público. Nesse escopo, a antropóloga Lília Schwarcz afirma que o Brasil pratica uma “política de eufemismos”, haja vista o descaso governamental perante a problemática. Visto que, o genitor tem o direito de estar perto da criança após o desvículo conjugal . No art. 5° da constituição que diz que “Todos são iguais perante a lei” é antagônico dados aos fatos da realidade midiática.

Além disso, é preponderante destacar que o corpo social vigente é individualista, fato que o torna passivo em relação a alienação parental. Sobre isso, o sociólogo Zygmunt Bauman explica que, na “modernidade líquida”, falta a empatia e solidariedade. Dessa forma, o “estar presente” acaba sendo privado podendo gerar transtornos psicológicos na criança em questão gerando problemas emocionais a longo prazo.

Portanto, é evidente que o combate alienação parental no Brasil exige urgência. Para isso, é essencial que o Estado brasileiro, por intermédio do ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente - trate esses indivíduos como sujeitos de direito protegidos pela lei. Além disso, é imprescindível que a mídia haja conforme essas leis, para que ocorra, de forma homogênea, a conscientização, com o objetivo de tornar o assunto debatido, e assim, solucioná-lo. Com essa medida em prática, os afetados terão, de fato, a possibilidade de viver em um mundo melhor, como o vilarejo inferido por Marisa Monte.