Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 31/08/2019
Na obra “Utopia”, de Thomas More, renascentista do século XVI, é retratada uma comunidade ausente de problemáticas sociais. Entretanto, análogo ao título, isso é quase inalcançável, haja vista os impasses cotidianos vividos pela população, como o uso indiscriminado de medicamentos. Dessa forma, é necessário obter subterfúgios a fim de resolver esse inercial obstáculo.
Em primeira análise, ressalta-se o crescente número de casos de automedicação na sociedade brasileira. De fato, muitos brasileiros não se consultam com um profissional da saúde antes de se medicarem, tornando-os suscetíveis a errarem à dosagem ou o medicamento e, não raro, quando isso ocorre com o uso de antibióticos, o quadro é agravado. Para ilustrar, uma pesquisa do Instituto de Pós-Graduação de Profissionais Farmacêuticos (ICTQ) realizada em 2018, mostrou que apenas 21% da população procura prescrição médica antes de se medicar. Sabe-se que, bactérias tornam-se resistentes a determinadas drogas quando mal administradas dando origem às “Superbactérias”, organismos os quais a medicina ainda não sabe combater, levando, na maioria dos casos, à morte do paciente.
Nesse contexto, deve-se atentar para a precariedade do Sistema Único de Saúde (SUS). Tendo em vista a lotação dos hospitais e ausência de médicos em muitas unidades, pessoas recorrem a outros meios de se tratarem e são impulsionadas a procederem sozinhas ou com auxílio de buscas na internet. Assim, o SUS vai de encontro .o pensamento de Zygmunt Bauman sobre as instituições zumbis, revelando a perda de sua função social. Além disso, propagandas diretas ao público consumidor reforçam a ideia do uso de fármacos sem conhecimento acerca de todos os sintomas.
Dessa maneira, infere-se a existência de entraves sociais para garantir a solidificação de hábitos que visem um mundo melhor. Urge, portanto a necessidade do Poder Legislativo, criar leis mais específicas com apoio de especialistas para punir severamente estabelecimentos que vendam remédios que exigem receita, sem tal prescrição. Outrossim, cabe ao Ministério da Saúde designar um maior contingente de médicos para rede pública através de verbas requeridas do Governo Federal com o intuito de sempre existirem médicos à disposição dos indivíduos para sanar qualquer duvida em relação aos medicamentos. Desse modo, a automedicação no Brasil deixara de ser um risco atrelado a indústria farmacêutica e por fim com essa ações tomadas estaríamos um passo a mais em direção ao modelo ideal da ilha Utopia.