Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 19/09/2019
Em 2009, Michael Jackson faleceu vítima de intoxicação por propofol e benzodiazepina em sua residência. A morte do “rei do pop” pegou muita gente de surpresa, revelando um conflito existente hoje no hodierno global, sobretudo no Brasil, em relação a indústria farmacêutica: o uso excessivo e inadequado de fármacos, muitas vezes, sem prescrição médica. Nesse viés, convém analisar como a falta de ética dos profissionais da saúde e a cultura hipocondríaca da população corroboram para a consolidação dessa mazela social.
Nessa conjuntura, é relevante enfatizar o uso inadequado de remédios como herança da falta de ética profissionais da área da saúde. Isso decorre, na perspectiva de Gilles Lipovetsky, no livro “A era do Vazio”, de um conduta maquiavélica na hipomodernidade. Haja vista que quando a finalidade é o capital - de caráter financeiro - diversos profissionais, em várias especialidades da ciência da saúde, cometem atitudes inadequadas quanto a ética e a moral. Lamentavelmente, tal perspespectiva se estende e, hoje, é comum, por exemplo, casos frequentes de mentiras sobre os efeitos fisiológicos e benefícios terapêuticos de certos remédios, conduzindo os pacientes que são leigos, a comprarem tratamentos desnecessário, indevidos ou iatrogénicos.
Somando-se a isso, é imperioso destacar que a cultura hipocondríaca da população tem influência do uso da internet. Isso decorre da facilidade do acesso tanto da informação quanto à desinformação, um vez que é possível encontrar tudo ou quase tudo que procuramos com uma simples busca no “Google”. Entretanto, o hábito de pesquisar por sintomas na internet tornou-se tão comum que originou o termo “Dr.Google”, a prática é válida, mas pode gerar alarme falsos ou mascarar problemas reais. Ocorre isso, a título de ilustração, quando uma dor de cabeça se torna, na pesquisa, tanto um sinal de enxaqueca quanto de AVC ou tumor celebral.Consequentemente, se não houver um filtro a informação, é usual que a população não vá ao médico e administre fármacos sem prescrição e acompanhamento.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de incrementos governamentais para o impasse. Em razão disso, o governo Federal, na figura do Conselho Federal de Medicina (CFM), deve criar um operação policial, por meio da abertura de uma sindicância para apurar a conduta dos profissionais antiético e irresponsável, como os que vendem, por exemplo, remédios supostamente “milagrosos” sem nenhuma comprovação científica, em prol de suspender e cassar os seus exercícios profissionais. Outrossim, a operação deve promover, por meio das mídias sociais - como Facebook e Instagram - uma propaganda com a frase de efeito “Use remédios com prescrição”, com a finalidade concientizar a população e reduzir os riscos de efeitos colaterais e, até mesmo, overdoses como a do “rei do pop”.