Os perigos da indústria farmacêutica
Enviada em 04/10/2019
Em 2008, a Academia entregou o Oscar póstumo de melhor ator para Heath Ledger, uma estrela em ascensão que emocionou o mundo com seu falecimento. Os laudos apontaram que a causa da morte foi a overdose de medicamentos que ele utilizava devido à insônia e ao estresse. É dessa forma, sob a promessa da agressiva indústria farmacêutica de ser a solução para todos os problemas, que as pessoas sucumbem ao uso discriminado de remédios e agravam ainda mais a própria saúde. Por certo, os riscos incluídos nos remédios e na sociedade moderna atual devem ser analisados e combatidos para o bem estar da humanidade.
Primeiramente, é importante observar que, de acordo com o Instituto de Ciências, Tecnologia e Qualidade, quase 80% dos adultos brasileiros se automedicam. Dessa maneira, ao preferir uma consulta no “google” em detrimento de uma consulta médica, vê-se que a maioria da população compra e faz uso de muitos remédios sem orientação de um profissional, que se atenta com as informações da bula, como efeitos colaterais e periodização do medicamento. Assim, o usuário coleciona medicamentos e acumula as consequências do uso indevido por serem facilmente sugestionáveis pelo marketing das grandes corporações medicinais.
Além disso, sabe-se que a indústria farmacêutica se aproveita das complicações oriundas da modernidade para a venda de remédios. Como apontou o sociólogo Zygmunt Bauman, a fadiga e a ansiedade são frutos de um moderno ciclo sem fim de construção da identidade própria e fazem com que os humanos sejam mais suscetíveis à uma suposta solução eficaz para a sua instabilidade. Portanto, ao buscar de forma emergencial uma saída para seus empecilhos, o consumo de calmantes e anestésicos se mostra como uma alternativa fácil para entrar em estado de inércia. Aliás, sob outro ângulo, é mais fácil até mesmo para o Estado oferecer medicamentos sedativos, como visto no filme Bacurau, ao invés de cuidar das reais dificuldades sociais da população.
Em síntese, é nítido que a indústria de medicamentos tem trazido problemas inaceitáveis para o Brasil e à humanidade. Nesse sentido, urge ao Ministério da Saúde, em parceria com institutos de pesquisa como a ICTQ, elaborar pesquisas para identificar as áreas onde o sistema de saúde é mais precário e onde há o maior consumo exagerado de medicamentos para, enfim, iniciar campanhas de conscientização sobre a importância da prescrição médica legalizada. Cabe também ao Poder Executivo reforçar as leis acerca do comércio e distribuição de remédios tarja preta. É desse modo que será possível proteger a saúde dos cidadãos brasileiros e a vida de estrelas, como Heath Ledger e cada um dos seres humanos que vivem no mundo atual.